O Banco Central (BC) decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., instituição sediada em São Paulo. A medida, publicada no Diário Oficial da União, representa uma das sanções mais severas aplicadas pela autoridade monetária para proteger o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional diante de indícios de graves irregularidades[1][3].
A decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora, o que expôs credores quirografários (sem garantias reais) a risco anormal, e por graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição[2][5]. Com a liquidação, as atividades da Sefer são interrompidas e um liquidante nomeado pelo BC assume a administração da empresa para conduzir a apuração de ativos, passivos e responsabilidades[1].
A Sefer possui baixa representatividade no mercado: está enquadrada no segmento S4 (instituições de menor porte), respondendo por menos de 0,0004% do ativo total do sistema e por 0,17% dos recursos administrados de terceiros[3][5]. Investidores com aplicações em fundos administrados pela gestora ou em produtos distribuídos por ela podem ser afetados pelo processo, que exige acompanhamento dos comunicados do liquidante[1].
Ligação direta com o caso Banco Master
A Sefer é a oitava empresa ligada ao ecossistema do Banco Master a ser liquidada pelo BC desde novembro de 2025, quando o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro começou a ser desmontado[1][5]. A instituição já era investigada antes da liquidação, tendo sido alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em janeiro deste ano, que apura um esquema de fraude bilionária liderado pelo Banco Master[4][5].
Segundo a PF, fundos administrados pela Sefer, como o City 2, teriam recebido cerca de R$ 1,8 bilhão provenientes do Master desde 2023. A suspeita é que esses recursos foram usados para comprar notas comerciais e direitos creditórios de empresas ligadas a Vorcaro, numa operação que teria servido para tirar dinheiro do banco por meio de ativos de qualidade questionável[4][5].
Indisponibilidade de bens dos controladores
Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir desta sexta-feira, os bens dos controladores e dos ex-administradores da Sefer[2][3]. O auditor aposentado do BC, Edison Benedito Alexandre, foi nomeado liquidante da instituição[5].
A holding controladora da Sefer é a Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., cuja liderança está com Benjamim Botelho de Almeida. Botelho é apontado pela Polícia Federal como sócio oculto de Daniel Vorcaro e figura central do esquema de fraudes do Banco Master, com participação desde a estruturação do Master até os negócios com a Fictor Holding[4][5]. O BC determinou a indisponibilidade dos bens de Botelho, de quatro empresas controladoras da Sefer e de outros 12 administradores e ex-administradores[5].
Contexto do escândalo
Desde novembro de 2025, o Banco Central já decretou a liquidação extrajudicial de: Banco Master; corretoras Master de Investimentos e Master de Câmbio; bancos digitais Will Bank e Let's Bank; gestora Reag; Banco Pleno; e, agora, Sefer Investimentos[4]. A Sefer também apareceu como uma das principais credoras no pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, que tentou comprar parte do Master junto a investidores árabes dias antes da operação policial[4].
A Sefer afirma em nota não ter praticado qualquer ato ilícito, dizendo atuar exclusivamente na gestão e administração de recursos de terceiros, sem conceder crédito com recursos próprios[4]. O BC, no entanto, continuará apurando responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e no envio de informações a outros órgãos competentes[2][3].
Fonte original: InvestNews – Investimentos.
