Uma onda de justiça pelas próprias mãos tomou conta das ruas de Lagos de Moreno, no estado de Jalisco, no México, com a aparição de um misterioso vigilante que a população e a imprensa local apelidaram de “Batman Mexicano”. O personagem, que virou o pesadelo dos criminosos locais, também se tornou um dos novos alvos prioritários das autoridades [1][3].

O caçador de crimes age de forma sistemática: intercepta suspeitos de roubo de motocicletas e, ao invés de chamar a polícia, utiliza rolos de fita adesiva de alta resistência para imobilizar os indivíduos, deixando-os completamente indefesos e amarrados a postes de iluminação pública [1][2]. Mais do que apenas capturar, o vigilante busca a humilhação visual dos suspeitos como assinatura de suas ações [1].

Em um intervalo de apenas dez dias, desde 13 de junho, pelo menos cinco homens foram encontrados nessas condições [1][2]. Para expor os crimes à comunidade, o “Batman” adota táticas teatrais: deixa as motos roubadas bem na frente deles, pinta bigodes de gato em seus rostos e escreve a palavra “ratero” (ladrão) na pele dos homens, inclusive na frente com tinta [1][2]. No caso mais bizarro, dois suspeitos foram achados presos de costas um para o outro [1].

As imagens do “tribunal de rua” viralizaram após serem divulgadas pelo jornalista Luis Cárdenas, dividindo opiniões nas redes sociais entre os que apoiam a iniciativa extrema e os que a condenam [1]. Apesar do apoio velado de parte dos moradores cansados da criminalidade, a polícia do estado de Jalisco não achou graça na audácia do mascarado [1].

O Secretário de Segurança do Estado, Juan Pablo Hernández, confirmou que os homens amarrados estão sendo legalmente tratados como vítimas de agressão e cárcere privado, e a Fiscalía do Estado de Jalisco já abriu carpetas de investigação [1][2]. Até o momento, o caso segue sem desfecho: os suspeitos foram libertados pelos policiais e encaminhados para hospitais locais para tratar ferimentos leves causados pela contenção física [2].

A polícia ainda avalia se haverá abertura de inquérito contra os supostos ladrões, já que o foco principal, por enquanto, mudou de figura [2]. Nenhum suspeito de ser o vigilante foi preso, mas investigadores já monitoram dois veículos que teriam sido usados nos “resgates” do herói anônimo [2]. Enquanto a polícia tenta descobrir a identidade por trás da fita adesiva, Lagos de Moreno se pergunta onde o “morcego da noite” atacará em seguida [1][3].

As autoridades também alertam que, ao contrário da narrativa de um justiciero solitário, esses casos poderiam estar relacionados a um grupo criminal que opera na zona [2].