O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (25/6) o Relatório de Política Monetária (RPM), que eleva a projeção de inflação para 2026 a 4,6%, acima do teto da meta estabelecida de 4,5%[1]. O documento indica que a autoridade monetária deve ter de justificar o estouro do objetivo por mais de dois trimestres consecutivos, o que exige a publicação de uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando o descumprimento[2].

Conforme o RPM, a chance de estouro do teto da meta em 2026 saltou de 30% para 79%, enquanto a probabilidade de a inflação ficar abaixo do piso de 1,5% agora é nula[2]. A inflação oficial (IPCA) acumulada nos últimos 12 meses encerrados em maio foi de 4,72%, já acima do limite superior[1]. A meta contínua, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%[6][7].

O relatório também elevou as projeções de crescimento do PIB para 2026 a 2% (antes de 1,6%) e a inflação para 5,2% neste ano[1]. O mercado financeiro, por meio do Boletim Focus, projeta inflação acima de 5% em 2026, com 11ª semana consecutiva de aumento[3]. O BC mantém o compromisso de convergir a inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, mas reconhece a deterioração do cenário[1].

Para 2027, a inflação deve reduzir, mas a chance de superar o teto da meta foi revista de 19% para 28%[2]. O IPCA deverá retornar ao intervalo de metas apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo projeções do COPOM[5].