Dona Beatriz Ferreira Duarte, pernambucana nascida em 21 de junho de 1911, comemorou seu 115º aniversário no último domingo (21/6), em Jaboatão dos Guararapes (PE), consolidando-se como a segunda pessoa viva mais velha do Brasil [2][3]. Ela fica atrás apenas de Yolanda Beltrão de Azevedo, fluminense também com 115 anos, mas nascida em 13 de janeiro, o que a coloca como a mais velha em idade cronológica [2].

A comemoração ocorreu cercada por quatro gerações de familiares — três filhas, sete netos, doze bisnetos, uma tataraneta e mais um tataraneto a caminho — na residência da idosa [1][2]. Embora não tenha mais a lucidez que manteve até os 106–107 anos, Beatriz exibe uma saúde impressionante: não toma nenhum tipo de medicamento e seus exames de rotina são considerados ótimos pela família [2][3].

A LongeviQuest, organização internacional especializada na validação de registros de supercentenários, reconheceu oficialmente sua idade em setembro de 2023, registrando-a como a sexta pessoa viva mais velha do mundo e a mais longa do estado de Pernambuco [2][3].

O segredo da longevidade, segundo a família, foi revelado pela própria Dona Beatriz em seu centenário: “Eu sempre obedeci os meus pais. Do dia de amanhã a Deus pertence” [2][3]. Ela viveu sem ansiedades, sem senso de urgência, guiada pela fé e pelo respeito aos pais. Sua bisneta Yslla Duarte lembra: “Ela não tinha pressa. Durante minha infância, quase toda vez que chegava na casa dela, a encontrava assobiando baixinho, balançando as perninhas, bem tranquila” [2].

Sua saúde física sempre foi fora do comum: aos 90 anos, nadava sozinha em Porto de Galinhas e cuidava das flores agachada. Até hoje, mantém hábitos curiosos, como derramar o café no pires e equilibrar até a boca sem derramar — algo que todos morriam de medo, mas o café não derramava [2].

O legado de Beatriz e de seu falecido esposo, Amaro Duarte, é celebrado como exemplo de resiliência e gratidão. Diante de notícias ruins, ela mantinha postura firme, equilibrada e sem desespero. Quando alguém tentava esconder a morte de alguém querido, dizia: “É assim mesmo, ninguém fica para semente” [2]. A família escolheu a música É Preciso Saber Viver para a comemoração, pois “se existe alguém que sabe viver, é vovó” [2].

Atualmente, Dona Beatriz não responde a estímulos complexos de conversação, mas fala, se comunica quando quer (dizendo que não quer algo, que sai, ou beijando e abraçando quem chega perto), dependendo do dia e do humor [2]. Seus familiares preferem focar nas memórias do período em que ela interagia ativamente, sempre reconhecida pela praticidade e pela tranquilidade [2].

Dona Beatriz Ferreira Duarte é, hoje, um símbolo de vida sem pressa, fé e serenidade — uma lição que inspira gerações e prova que a idade não é limitação quando se vive com equilíbrio e gratidão [1][2][3].