O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal para esclarecer a posse de uma pistola Glock calibre 9 mm, registrada em seu nome, que foi apreendida durante uma blitz de trânsito em Brasília na semana passada. Durante a oitiva, que durou cerca de cinco minutos, Bolsonaro repetiu aos investigadores a versão já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF): ele teria percebido um defeito no percussor da arma e solicitado a um militar de sua equipe de segurança que providenciasse o conserto[1][2].
A arma estava com o sargento Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido para a proteção do ex-presidente, quando foi abordado no Pistão Norte, em Taguatinga, na segunda-feira (15)[1]. O militar afirmou que transportava o armamento para manutenção e que ele seria devolvido após o reparo, mas foi conduzido à delegacia por não apresentar o certificado de registro da arma, embora o registro fosse regular em nome de Bolsonaro[2][6].
Segundo a defesa, representada pelo advogado Paulo Cunha Bueno, integrantes da equipe de segurança de Bolsonaro decidiram, sem conhecimento prévio do ex-presidente, retirar o percussor da arma como medida de segurança, devido ao estado de saúde mental do ex-chefe do Executivo[4][5]. A defesa afirmou que Bolsonaro, ao perceber que a arma não disparava, pediu ao militar que verificasse a situação e levasse o equipamento para reparo técnico[4].
Paulo Cunha Bueno declarou que a arma estava regularmente registrada e que não havia determinação judicial para sua entrega às autoridades, enfatizando que Bolsonaro apenas solicitou um reparo técnico e que não houve intenção de descumprir qualquer determinação legal[1][2]. O advogado espera o arquivamento do inquérito, que investiga as circunstâncias do transporte da arma sem o certificado de registro exigido[2][6].
O caso poderá influenciar a análise do ministro Alexandre de Moraes sobre a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro, que está em benefício humanitário desde março por razões médicas, após quadro de pneumonia e outras complicações de saúde[1][8]. O prazo de 90 dias da medida termina nesta quinta-feira (25), e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) já pediu ao ministro que o ex-presidente retorne ao sistema prisional[1].
Boletim médico da última sexta-feira apontou melhora no estado de saúde de Bolsonaro, com evolução no tratamento do ombro operado, redução das crises de soluço e aumento da disposição física[1]. Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista[1].
