O Brasil colocará equipes de saúde e insumos à disposição da Venezuela após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país vizinho na noite de quarta-feira (24), deixando ao menos 188 mortos e mais de 970 feridos[1][2]. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que uma missão humanitária de busca e resgate partirá do Aeroporto de Guarulhos na sexta-feira (26), incluindo 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, técnicos da Defesa Civil Nacional e da Anatel, além de 9 toneladas de equipamentos para auxiliar nas buscas[1][3].

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo brasileiro mantem contato com o Ministério da Saúde da Venezuela e com a OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) para definir o envio de ajuda humanitária, seguindo diretrizes do presidente Lula[1]. A assessoria do ministério esclareceu que, inicialmente, não houve pedido oficial de ajuda da Venezuela, mas posteriormente a embaixada brasileira em Caracas recebeu solicitação urgente de equipamentos cirúrgicos, estruturas para hospitais de campanha e equipes de resgate[3].

Na segunda-feira (27), outro avião será enviado com equipamentos para montar um hospital de campanha, 100 purificadores de água movidos a energia solar, medicamentos e suprimentos médicos para cirurgias[1]. A OPAS, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), já atua na Venezuela na resposta ao terremoto, trabalhando com as autoridades de saúde do país caribenho enquanto o Centro de Operações de Emergência em Washington apoia e coordena com a ONU e parceiros[1].

Projeções do Serviço Geológico dos EUA (USGS) apontam para probabilidade de dezenas de milhares de vítimas, com perda econômica entre 1% e 7% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano[1]. O terremoto causou danos estruturais em diversas cidades, incluindo fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Caracas, e mobilizou chefes de Estado de todo o mundo, como o presidente da França, Emmanuel Macron, que enviará 85 trabalhadores de resgate, e a Espanha, que mobilizou 54 socorristas do exército[4].

O Itamaraty realiza avaliação do cenário para definição de medidas de assistência, em articulação com a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, responsável pela coordenação das ações emergenciais[2]. Até o momento, não há registro de brasileiros entre os mortos, mas o governo brasileiro segue acompanhando os trabalhos das equipes de resgate[2].