A Braskem protocolou na quinta-feira (25) um pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, buscando proteção temporária contra cobranças de credores financeiros durante negociações de mediação. A medida, que abrange exclusivamente os credores financeiros e não fornecedores ou clientes, desencadeia um período de 60 dias (prorrogáveis) de congelamento de pagamentos, funcionando como uma moratória que impede recebimentos enquanto a empresa negocia novas condições de dívida[1][2].

O impacto direto atinge cerca de R$ 3,4 bilhões em títulos detidos por investidores: R$ 2,7 bilhões em debêntures vigentes e R$ 721 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). A situação dos CRAs é particularmente sensível, pois 95% de suas emissões estão nas mãos de pessoas físicas[1]. Além disso, as garantias atreladas a esses CRAs são, na prática, debêntures emitidas por empresas do mesmo grupo, o que compromete o lastro em processos de recuperação extrajudicial, deixando investidores sem garantias acionáveis no momento[1].

No mercado secundário, a tensão já é visível: debêntures e CRAs da Braskem estão sendo negociados com descontos entre 54% e 60% em relação ao valor de face. Quando convertido para taxas de retorno, esse cenário eleva os juros a estratosféricos IPCA + 58% ao ano (ou CDI + 42%), refletindo o alto risco de crédito percebido pelos investidores[1]. A proposta de reestruturação apresentada pela empresa inclui a conversão de dívidas sem garantia em novos instrumentos com vencimento prorrogado em cinco anos, redução de 200 pontos base na taxa de juros e opção de PIK (payment-in-kind) de 100% entre julho de 2026 e dezembro de 2028, a critério do devedor[1][2].

Se a Braskem formalizar a recuperação extrajudicial, a recomendação para investidores é aguardar as negociações entre a companhia e os principais credores. Diferentemente do processo judicial, os títulos ainda podem ser vendidos no mercado secundário de títulos "usados" antes dos vencimentos. No entanto, a tendência é que os descontos nas negociações diretas sejam menores do que as perdas no mercado secundário, onde casos como o da Raízen já chegaram a oferecer descontos superiores a 70%[1]. A maior parte da dívida da Braskem (mais de 70% do total de R$ 51,8 bilhões) está nas mãos de credores internacionais em "bonds" (títulos em dólar), enquanto a dívida líquida é de R$ 41,2 bilhões[1].

Fonte original: InvestNews – Investimentos.