Em junho de 2016, uma votação apertada decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia. Dez anos depois, uma parte considerável dos britânicos ainda se questiona se essa decisão foi correta ou não. Uma pesquisa recente do instituto YouGov revelou que 56% dos entrevistados afirmam que o Brexit foi um erro, enquanto 62% consideram a saída um fracasso[2][6].
O referendo do Brexit criou duas novas "tribos políticas": os partidários da saída (Leavers) e os da permanência (Remainers). Dez anos depois, as identidades seguem fortes e enraizadas. Quase dois terços dos britânicos se identificam como Leavers ou Remainers, e os vínculos são muitas vezes mais fortes do que a lealdade aos partidos políticos[1][2]. Sara Hobolt, professora de Instituições Europeias e diretora do Departamento de Governo da London School of Economics (LSE), explica à AFP que o referendo transformou uma questão política distante em uma profunda divisão social e política, contribuindo para a fragmentação e polarização observadas na política britânica[1].
Há 10 anos, 51,9% dos eleitores votaram pela saída da UE, enquanto 48,1% votaram pela permanência. O décimo aniversário do referendo acontece um dia após o anúncio da renúncia do primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, que permaneceu quase dois anos no poder[1]. Com a saída de Starmer, quase todas as previsões apontam Andy Burnham, da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista e até agora prefeito da Grande Manchester, como seu sucessor[8].
Burnham não falou abertamente sobre a possibilidade de um retorno imediato à UE, mas algumas de suas declarações dão a entender que considera a saída um erro. Em maio, durante a campanha para uma eleição suplementar, disse ao canal ITV que existe um "argumento de longo prazo" a favor do retorno à União Europeia[1]. Catherine Barnard, professora de Direito da União Europeia na Universidade de Cambridge, declarou à AFP que a questão interessante é saber se Burnham será mais prudente por representar um distrito eleitoral que apoiou a saída ou se ir além de Starmer em seu desejo de se aproximar mais da Europa[1].
Ainda existe um trauma profundo em torno do Brexit e o eleitorado continua dividido. Segundo pesquisas, 56% dos votantes britânicos votariam hoje pela reentrada na UE, incluindo 22% daqueles que inicialmente votaram para sair[2]. A economia britânica sofre impacto de até 6% do seu Produto Interno Bruto (PIB) devido ao Brexit, com outros trabalhos elevando essa estimativa a até 8%[1].
O Brexit quebrou o padrão político britânico e introduz uma nova divisão: sair ou permanecer na União Europeia. Mesmo entre os que apoiaram o Brexit, muitos expressam arrependimento pela escolha[1]. O Reino Unido está prestes a ter seu sétimo primeiro-ministro em pouco mais de uma década, refletindo a instabilidade gerada pela decisão de 2016[1].
