Uma onda de calor histórica e sem precedentes está varrendo a Europa, com temperaturas superiores a 35ºC pressionando hospitais lotados e causando centenas de mortes em diversos países, incluindo o Reino Unido, França, Espanha e Alemanha. O fenômeno, que já afeta aproximadamente 420 milhões de habitantes (excluindo a Turquia), ou cerca de sete em cada dez europeus, levou autoridades a emitir alertas máximos e vermelhos em várias regiões do continente.
No Reino Unido, a situação é crítica: o país bateu seu recorde de calor para junho pela terceira vez consecutiva, atingindo 36,9ºC nesta sexta-feira (26), segundo a Met Office. O sistema hospitalar britânico (NHS) está "no limite", conforme relatou a doutora Hilary Williams do Royal College of Surgeons, que alertou sobre pacientes e equipes sofrendo com o calor extremo, além de máquinas que não suportam as condições. Médicos na França também descreveram uma situação "extremamente grave" no hospital Georges Pompidou, com corredores cheios de idosos e adultos de 50 a 60 anos com hipotermias severas.
As consequências da onda de calor são devastadoras: autoridades relatam centenas de mortos na Espanha e outras vítimas no resto da Europa, incluindo crianças que faleceram em carros superaquecidos. Na Alemanha, mais de 50 milhões de pessoas e na França mais de 30 milhões enfrentarão temperaturas acima de 35ºC. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) considerou "possível" que este fenômeno seja um recorde histórico, embora ainda seja prematuro afirmar definitivamente.
Os impactos não se limitam aos humanos: no delta do rio Po, na Itália, lagoas superaquecidas estão causando alta mortalidade de amêijoas e formação de macroalgas. Na Bélgica, presos em Namur descrevem a situação como "insuportável" e "morrer". Zoológicos em Varsóvia e cidades na Hungria, República Tcheca e Países Baixos estão adotando medidas emergenciais, como aspersores, tanques e alertas vermelhos, para proteger animais e população.
Em Berlim, voluntários distribuem kits contra o calor para pessoas em situação de rua, destacando que a ajuda tradicional focava no frio, mas a situação mudou drasticamente. Esta segunda vaga de calor em menos de um mês reforça a urgência de ações climáticas, já que ondas de calor provocaram mais de 60 mil mortes por ano na Europa em 2023 e 2024.
Fonte original: Jornal de Brasília – Mundo.
