40 pessoas morreram afogadas na França nos últimos cinco dias, em um cenário de calor extremo recorde que assola o país e força autoridades a decretar alertas de emergência. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu confirmou na terça-feira (23/6) que a maioria das vítimas era jovem, tendo buscado se refrescar em águas naturais para aliviar os efeitos da onda de calor que atingiu temperaturas máximas acima de 40°C[1][6].
A madrugada de 23 de junho foi classificada pelo jornal France24 como “a noite mais quente de todos os tempos” desde o início dos registros em 1947, com o indicador nacional de temperatura atingindo 21,6°C, superando o recorde anterior de 21,4°C de 2019[1]. O fenômeno climático responsável é o “Bloco Ômega”, que aprisionou uma massa de ar quente sobre o continente europeu, afetando também Itália, Espanha e Reino Unido[1][9].
Em um país onde o ar-condicionado não é generalizado, as temperaturas escaldantes já provocaram o fechamento de escolas, o cancelamento de eventos e a interrupção de serviços ferroviários. A situação é crítica: nesta segunda-feira (22/6), duas crianças, de 2 e 4 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro estacionado em Carpentras, no sul francês, em estado de parada cardiorrespiratória[1]. A mãe das crianças está sob custódia da polícia[1].
O serviço meteorológico nacional Météo France colocou 54 departamentos sob alerta vermelho, cobrindo cerca da metade do território nacional. Os alertas foram implementados após a onda de calor de agosto de 2003, que causou cerca de 15 mil mortes na França[1]. As autoridades estimam que as condições extremas persistirão até o fim da semana, com temperaturas máximas acima de 40°C, mas devem começar a melhorar a partir desta sexta-feira (26)[1].
De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a Europa é o continente que aquece mais rapidamente no mundo, com temperaturas aumentando duas vezes mais rápido que a média global desde a década de 1980[1]. O aumento de mortes por afogamento durante ondas de calor tem sido uma tendência crescente no país, com banistas tentando se refrescar em locais sem supervisão[3][4].
