Campina Grande, no Agreste da Paraíba e reconhecida como a sede do "Maior São João do Mundo", já teve ao longo de sua história cerca de 450 grupos de quadrilhas juninas, segundo levantamento da pesquisa "As Quadrilhas Juninas do Brasil", realizada pela Quaest em parceria com o YouTube. Atualmente, a cidade mantém 14 agremiações em atividade, das quais seis são presididas por mulheres, evidenciando o protagonismo feminino que sustenta a estrutura financeira, administrativa e artística do movimento junino local[3][4].
O estudo, que combinou entrevistas presenciais e virtuais entre os dias 8 e 21 de maio de 2026, traça uma radiografia em cinco campos específicos: organização e gestão, modos de financiamento, intersecções sociais, plataformas digitais e estratégias de valorização[3][5]. Um dos achados mais relevantes é que as quadrilhas juninas funcionam como potentes vetores de progresso social, transformando realidades de vulnerabilidade, promovendo inclusão e criando redes de apoio essenciais para seus integrantes[1][2]. Elas se tornaram verdadeiros projetos de vida nos territórios, gerando laços de pertencimento para jovens de periferias e de diversas raças, religiões e vivências sociais[1][5].
A inclusão e o acolhimento são marcas centrais das agremiações, que atuam como redes de proteção e protagonismo majoritário para a comunidade LGBTQIAPN+. Em algumas quadrilhas mais profissionalizadas, a presença dessa comunidade chega a ser majoritária, ocupando funções de direção criativa, maquiagem e coreografia, além de materializar avanços históricos como a inclusão de damas trans e a Rainha da Diversidade[3][5]. O pertencimento social é ampliado quando as quadrilhas são reconhecidas pela comunidade como espaços de convivência, disciplina e afirmação de identidade, mobilizando principalmente jovens de baixa renda de bairros periféricos[3].
Longe de serem apenas atrações de festa, as quadrilhas juninas evoluíram para grandes espetáculos com presença digital, organização profissional e impacto econômico, sem perder o vínculo comunitário que sustenta a tradição no Brasil[1][2]. A atividade dos grupos envolve criação artística, organização coletiva, mobilização territorial e transmissão de saberes, confirmando-as como um dos fenômenos mais potentes da cultura popular brasileira[2][5]. As plataformas digitais, especialmente o YouTube, integram a rotina dos grupos, funcionando como vitrine, acervo permanente e fonte de pesquisa estética para figurinos, cenografias e formatos de espetáculo[1][5].
O ciclo de trabalho das quadrilhas é permanente, mobilizando de 100 a mais de 300 pessoas por grupo, incluindo dançarinos, dirigentes, costureiras, cenógrafos, músicos e equipes de apoio[5][6]. Após o ciclo de apresentações que se estende de maio a julho, a temporada seguinte já começa a se formar entre agosto e outubro, com ensaios, confecção de figurinos, adereços e a escolha do enredo[3]. Essa indústria criativa gera trabalho direto e indireto para diversos profissionais da cultura, envolvendo dança, figurino, maquiagem, cenografia, música, transporte e gestão[5][6].
Apesar da geração de empregos e do atrativo turístico, as quadrilhas enfrentam obstáculos severos de orçamento. Sem verba estável, as agremiações dependem de rifas comunitárias para a confecção de figurinos luxuosos, enquanto os repasses públicos chegam com atraso e as premiações não cobrem os custos[3]. Muitas lideranças assumem dívidas do próprio bolso ao final da temporada, refletindo a precariedade financeira que ameaça a continuidade dessas tradições[3]. O levantamento completo está disponível no site quaest.com.br, oferecendo um diagnóstico inédito sobre o ecossistema das quadrilhas juninas no país[3].
