No mercado de carnes brasileiro, consumidores frequentemente hesitam ao escolher entre cortes com gordura branca ou amarela, mas especialistas garantem que a cor não determina a qualidade do alimento. De acordo com a nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, a diferença na tonalidade ocorre de forma natural no campo devido à alimentação, idade e raça do animal, sem que isso interfira significativamente no valor nutricional da peça ou traga riscos à saúde humana[1][2].

A origem da cor é diretamente ligada ao sistema de criação: a gordura amarela vem do pasto, rico em betacaroteno (pigmento antioxidante), enquanto a branca indica que o bovino passou por confinamento e foi alimentado majoritariamente com grãos e ração[1][3]. Além da dieta, a idade do animal também pesa bastante: “Bois mais velhos tendem a acumular mais carotenoides nos tecidos ao longo da vida, resultando em uma capa de gordura mais escura, enquanto animais jovens costumam apresentar a gordura mais clara”, explica a nutricionista[2][4].

Embora a gordura amarela carregue uma quantidade ligeiramente maior de compostos antioxidantes por conta da pastagem, Taynara Abreu ressalta que esse detalhe tem um impacto isolado muito pequeno na saúde geral do indivíduo[1][2]. “O valor nutricional da carne depende muito mais do corte, do teor de gordura, da forma de preparo e da alimentação global do indivíduo”, pondera. Portanto, focar apenas na cor da capa de gordura é um equívoco técnico[2][3].

Para garantir uma compra segura e saborosa, o consumidor deve deixar as preferências de cor em segundo plano e observar critérios práticos de higiene e conservação no açougue ou supermercado[2]. O mais importante é verificar o aspecto geral da peça — que deve ter uma coloração viva e odor agradável —, checar a integridade da embalagem e, obrigatoriamente, buscar pelo selo de inspeção sanitária (como o SIF), que atesta a procedência e a segurança do alimento que vai para a mesa[1][2].

Fonte original: Metrópoles – Vida e Estilo.