A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou na manhã de quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre supostas fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões. A ação envolveu a execução de nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos investigados, limitados ao montante de R$ 54 bilhões[1][2].

De acordo com a PF, as investigações apontam que os suspeitos tinham conhecimento das fraudes praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) contabilizados sem lastro econômico[1]. A operação também apontou indícios de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

A primeira fase da Operação Disclosure foi iniciada em junho de 2024, quando foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas, além do sequestro de bens somando mais de R$ 500 milhões[1]. Naquela ocasião, a PF informou que as investigações tiveram a colaboração da atual diretoria da empresa, que auxiliou na apuração das fraudes contábeis relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de VPC que nunca existiram[1].

Especialistas e o próprio órgão regulador estatal reconhecem que o caso Americanas trouxe à tona desafios e limites da regulamentação do mercado financeiro no país. Entre os aspectos apontados estão a necessidade de equilíbrio entre regulamentação estatal e do mercado, conflitos de interesses que minam a autorregulação, sofisticação das fraudes empresariais e orçamento inadequado do órgão regulador[1]. A segunda fase da operação indica que a investigação está avançando e que mais nomes podem aparecer[4].

O Estadão pediu manifestação da Americanas e dos bancos citados na operação, reforçando a relevância nacional do caso[4]. A operação segue sob acompanhamento da Justiça, que já determinou o bloqueio de bens e valores no valor total de R$ 54 bilhões[1][2].