A filha de 7 anos da soldado Gisele Alves Santana, policial militar encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, prestará depoimento especial nesta quarta-feira (1º/7) durante o julgamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido, que é acusado de feminicídio e fraude processual[1][2]. A criança, que morava com o casal no Brás, região central de São Paulo, relatava ao pai biológico a ocorrência de brigas constantes e intensas entre o casal desde que passou a viver no apartamento[2].
No dia 17 de fevereiro, véspera da morte de Gisele, a menina foi buscada pelo pai e entrou no carro chorando, dizendo que não queria voltar ao apartamento porque não aguentava mais as brigas[2]. Amigas da soldado também relataram que a criança apresentava sinais de abalo psicológico, como perda de peso e episódios de enurese noturna após conviver com o tenente-coronel[2].
O depoimento especial, previsto para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, ocorre em ambiente reservado com participação de psicólogo ou assistente social responsável por fazer as perguntas[2]. O interrogatório é gravado, mas o juiz e demais participantes acompanham de outra sala para preservar a intimidade da criança e evitar a revitimização[2]. Além da menina, também estão marcados nesta quarta os depoimentos de outros familiares da soldado, incluindo os pais, o irmão e o ex-marido, pai da criança[2].
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto nega o crime e alega que Gisele cometeu suicídio, mas a perícia apontou que a lesão em seu rosto foi feita por adulto e que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio[1][2]. A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do oficial em 17 de março, e ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos[2]. O STJ decidiu em abril que o caso deve ser julgado pela Justiça comum, por entender que o crime investigado não tem natureza militar[2].
O julgamento encerra a fase de instrução e tem previsão de durar até sexta-feira (3/7), quando acontece o interrogatório do tenente-coronel[2]. Na segunda-feira (30/6), foram ouvidos o delegado que investigou o caso, o perito criminal e médico legista que investigou o corpo da vítima, e a perita criminal que investigou a cena do crime[2]. O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do tenente-coronel e a quem Geraldo ligou após o disparo, não está entre as testemunhas que serão ouvidas, pois as partes consideraram que sua participação não era pertinente para a produção de provas sobre o crime em si[2].
Fonte original: Metrópoles – São Paulo.
