O candidato de esquerda à Presidência da Colômbia, Iván Cepeda, pediu calma a seus apoiadores nesta segunda-feira (22) e, três dias após a eleição, concedeu derrota para o advogado e empresário de extrema-direita Abelardo de la Espriella, reconhecendo-o como novo presidente da República[1][2]. Em uma das disputas do segundo turno mais acirradas da história, Cepeda perdeu por menos de um ponto percentual, com cerca de 250 mil votos de diferença (49,6% a 49,2% na apuração preliminar)[1].
Após a vitória de De la Espriella, apoiado por Donald Trump, milhares de pessoas foram às ruas em Bogotá e Cali, onde queimaram bandeiras dos EUA e entraram em confronto com a polícia de choque[1]. Cepeda, senador de 63 anos e defensor dos direitos humanos, afirmou em coletiva de imprensa: "Meu chamado é para manter a calma e a tranquilidade porque esse é o nosso talante"[1]. Ele também rechaçou as declarações de De la Espriella, dizendo: "Não nos ameace"[1].
Em Barranquilla, o advogado eleito pela primeira vez para um cargo público ameaçou seu rival caso este "incitasse a violência", afirmando: "Dr. Cepeda, o senhor já sabe como o tigre morde forte. E deixe-me dizer uma coisa: o tigre pode morder ainda mais forte do que mordeu nas urnas"[1]. Cepeda, que inicialmente aguardaria o escrutínio final e pediu a contestação de mais de 57 mil urnas[2], agora afirma que as diferenças políticas devem ser resolvidas com respeito e diálogo[2].
O processo eleitoral ainda está em fase de escrutínio, com conclusão prevista entre terça e quinta-feira (25), e o Registrador Nacional da Colômbia informou que a contagem final divergiu apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial[1]. O presidente Gustavo Petro, que apoiou Cepeda, afirmou que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio[1].
