A China consolidou sua liderança tecnológica global ao transformar sua estação espacial Tiangong (“Palácio Celestial”) em um laboratório permanente de microgravidade, enquanto superou os EUA no Nature Index, o principal ranking de publicações científicas. Em uma nova corrida espacial ideológica, Pequim não apenas demonstra competência técnica, mas projeta poder econômico e a superioridade de seu sistema político, com planos ambiciosos para uma colônia lunar até 2030 e missões ao espaço profundo.
A estação espacial Tiangong, que orbita a Terra entre 340 e 450 km de altitude e realiza 16 órbitas por dia, foi completamente construída entre 2021 e 2022, com três módulos principais: Tianhe, Wentian e Mengtian. Operada pela Agência de Espaço Tripulado da China (CMSA), ela é a primeira estação espacial permanentemente tripulada do país desde 2021 e serve como plataforma para experimentos em bioastronáutica, ciência de materiais e tecnologia espacial, além de preparar a próxima geração de veículos de transporte orbital e exploração de espaço profundo [2][3][4].
Na esfera científica, a China foi a clara vencedora geral do Nature Index em 2025, liderando em disciplinas de ciências naturais (biologia, química, física) e ciências aplicadas, ficando atrás dos EUA apenas em ciências da saúde e sociais. Nove das dez principais instituições de pesquisa do ranking são chinesas, com Harvard aparecendo apenas em terceiro lugar e a Sociedade Max Planck da Alemanha em 13º [6].
Esta ascensão contínua, ocorrendo há duas décadas, baseia-se em apoio financeiro sistemático e de longo prazo às universidades e instituições científicas chinesas, incluindo investimentos em infraestrutura de pesquisa de grande escala e formação internacional de pesquisadores. O 15º Plano Quinquenal, que prevê crescimento econômico até 2030, foca em “novas forças produtivas” e em oito temas-chave: inteligência artificial, tecnologia quântica, energia de fusão, biotecnologia, pesquisa cerebral, prevenção de doenças, águas profundas e espaço profundo [6].
A competição espacial também é ideológica. A China e os EUA disputam uma missão lunar moderna: Pequim planeja enviar humanos à Lua até 2030 e estabelecer uma colônia permanente, enquanto a NASA enfrenta atrasos significativos na missão Artemis (planejada para 2028). A China já foi o único país a coletar amostras do lado oculto da Lua, utilizando-as para produzir materiais de construção semelhantes à rocha lunar [6][7].
Limitações políticas e segurança jurídica moldam a cooperação científica. A Emenda Wolf de 2011 proíbe a NASA de cooperar com a agência espacial chinesa, e a ESA evita parcerias com Pequim devido à aliança transatlântica. Projetos de cooperação entre instituições alemãs e chinesas são“informados, responsáveis e estratégicos”, com limites claros em áreas sensíveis como uso duplo (militar) e inteligência artificial para vigilância [6][7].
Em outubro, pela primeira vez, um astronauta estrangeiro (do Paquistão, aliado próximo de Pequim) permanecerá seis meses na Tiangong, enquanto dois paquistaneses treinam para a missão Shenzhou-24. A mensagem da órbita é clara: a formação de blocos políticos também ocorre no vácuo do espaço, com a China avançando sua agenda de política externa por meio de meios tecnológicos [1][8].
