A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto transformou a histórica cidade mineira em um verdadeiro centro de reflexão sobre a memória audiovisual brasileira, reunindo pesquisadores, realizadores, professores, estudantes e gestores culturais em uma programação inteiramente gratuita que vai até 30 de junho[1][2].

Com o tema central “Um país existe nas imagens que preserva”, o festival consolidou-se como o único evento brasileiro dedicado exclusivamente ao cinema como patrimônio cultural, articulando três eixos curatoriais: preservação, história e educação[1][3].

Entre os principais anúncios da mostra, destaca-se a possível criação de um Centro de Referência em Preservação Audiovisual no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv)[1]. A iniciativa, apresentada pelo reitor Thiago Matos Pinto na abertura, visa fortalecer a formação profissional, ampliar a oferta de cursos e estruturar um espaço permanente voltado ao ensino, pesquisa e extensão em preservação audiovisual[1]. Se aprovado, o centro terá infraestrutura própria, orçamento específico e poderá qualificar profissionais em um segmento considerado estratégico para a memória do país[1].

Na cerimônia de abertura, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, reforçou que preservar imagens é preservar a identidade do Brasil: “Quando uma imagem some, não é apenas um arquivo que desaparece, é uma memória que se apaga. É uma possibilidade de reconhecimento que se interrompe. É o próprio país que se torna menos visível para si mesmo”[1]. Ela explicou que a preservação não é o fim do processo, mas o início de novas formas de acesso, circulação e formação de público[1].

A mostra também homenageou a cineasta Helena Solberg, de 88 anos, com o Troféu Vila Rica e a exibição restaurada de seus primeiros filmes, A Entrevista e Meio-Dia, produzidos na década de 1960[1]. Outro destaque é o Cine-Expressão, segmento dedicado à infância e juventude, que leva estudantes de escolas públicas de Ouro Preto e região a sessões comentadas e atividades pedagógicas[1][3]. A curadora Ramina El Shadai defende que o projeto prioriza despertar o interesse dos jovens pelo cinema antes mesmo de pensar em formação de plateias: “Primeiro é preciso fazer com que eles gostem de estar ali”[1].

Além das exibições, a CineOP promove fóruns, encontros nacionais e masterclasses internacionais com convidados do Brasil, Argentina e México, debatendo arquivo e invenção cinematográfica, cinema comunitário, cineclubismo e educação audiovisual[1]. As discussões buscam consolidar propostas para fortalecer a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro e ampliar sua circulação junto ao público[1].

A 21ª CineOP segue até 30 de junho, com todas as atividades gratuitas e parte da programação disponível online por meio da plataforma da mostra[1][3].

Fonte: Carta Capital – Política