Com a vitória de **Abelardo de la Espriella** nas eleições presidenciais de 2º turno na Colômbia, o país latino-americano **guinam à direita** e se **alinha estrategicamente aos Estados Unidos**, rompendo o eixo de governos de esquerda que inclui o Brasil, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o México, de Claudia Sheinbaum[1][2]. Espriella, empresário de 47 anos sem experiência política prévia, venceu o senador de esquerda **Iván Cepeda**, aliado do atual presidente Gustavo Petro, por uma margem apertada de **cerca de 250 mil votos**, com 49,66% dos votos contra 48,70% de Cepeda[2][3].

A chegada de Espriella ao **Palácio de Nariño** significa uma mudança drástica na política internacional das Américas: o novo presidente **promete alinhamento explícito com os EUA**, Israel e países de direita regional como a **Argentina**, e já declarou intenção de **retirar a Colômbia da ONU, da OEA e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos**, decisões que especialistas consideram transformá-la em um **pária regional e global**[1][5]. Segundo Yann Basset, cientista político da Universidade do Rosário, "Espriella se insere plenamente no grupo de governantes de direita que buscam alinhamento com a política dos Estados Unidos, e a Colômbia entra nesse clube de países próximos a Washington na América Latina"[1].

Em relação à **Venezuela**, Espriella afirmou que **não terá diálogo direto com Delcy Rodríguez**, presidente interina após a captura de Nicolás Maduro, e que a comunicação será canalizada **por meio do Departamento de Estado dos EUA**, rompendo com a tradição diplomática de manter canais diretos e delegando o diálogo a um terceiro Estado[1]. Com o Brasil, o especialista Rafael Castro Alegría espera **mais atritos devido à distância ideológica**, mas não uma ruptura total, pois o **peso econômico brasileiro é grande demais**[1].

A eleição colombiana, que definiu os rumos do país para os próximos quatro anos, foi uma "queda de braço" entre o presidente **Gustavo Petro** e o presidente dos EUA, **Donald Trump**, que já parabenizou Espriella e prometeu parceria[1]. O candidato ultradireitista, admirador de Trump e do salvadoreño **Nayib Bukele**, promete uma **ofensiva militar** e a construção de **10 megaprisões**, além de reduzir o tamanho do Estado em **40%**, ampliar a base tributária e cortar impostos corporativos para promover o emprego no setor privado[1].

Apesar da vitória da direita, especialistas como Basset alertam que **não há uma onda conservadora generalizada** na região: cada país segue um caminho próprio, e das últimas 15 eleições presidenciais, a direita venceu 12 — o que pode ser lido como **"voto de castigo"** contra governos no poder, não como conversão ideológica massiva[1]. Além disso, **Brasil e México**, as principais potências econômicas da região, ainda são governados pela esquerda, e o **Congresso colombiano ficou fragmentado**, com forte presença do partido de Iván Cepeda, o que relativiza a leitura de um mandato contundente totalmente favorável a Espriella[1].

Um elemento que parece unir os governos regionais é o **combate ao crime**, com Espriella prometendo aderir ao **Escudo das Américas**, iniciativa de coordenação em segurança que já existe na região[1]. A vitória de Espriella, que **foi confirmada pelo Conselho Nacional Eleitoral em 24 de junho 2026**, reflete a **forte polarização** que domina as sociedades latino-americanas, mas também a **maturidade institucional colombiana**, visível na seriedade da autoridade eleitoral e na moderação dos discursos dos dois candidatos[3]. Até a data de confirmação, o candidato do Pacto Histórico, **Iván Cepeda**, já reconheceu parcialmente sua derrota[3].