Ataques com inscrições de ódio, atribuídos a jovens extremistas, marcam escalada da violência em assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada.
Colonos israelenses atacaram violentamente duas mesquitas na Cisjordânia, incendiando-as e deixando mensagens de ódio nas paredes. Os incidentes chocaram a população local e evidenciam uma preocupante escalada da tensão na região.
As comunidades de Jiljiliya e Al Mazra al Nubani, a poucos quilômetros de Ramallah, foram os alvos da madrugada desta quarta-feira, com danos significativos e marcas de vandalismo.
Inscrições como "Vingança" e "A noite das mesquitas", atribuídas a jovens colonos extremistas, foram encontradas, indicando a natureza premeditada dos ataques, conforme informação divulgada por Carta Capital – Mundo.
A Escalada da Violência e os Ataques em Jiljiliya
O episódio em Jiljiliya, cerca de dez quilômetros ao norte de Ramallah, revelou cenas de destruição. Equipes de jornalistas confirmaram indícios de incêndio e vandalismo extensivo no local sagrado.
Sobre as paredes carbonizadas da mesquita, foram traduzidas inscrições em hebraico, incluindo "Vingança", "A noite das mesquitas" e "Saudação dos Hilltop Youth", um movimento de jovens colonos extremistas.
Osama Abdula, representante do conselho local, detalhou à AFP que os colonos israelenses incendiaram o salão de abluções e danificaram a mesquita principal da vila. Mensagens hostis foram pichadas nas paredes externas do templo.
Segundo Abdula, os agressores chegaram de madrugada e, ao encontrar a porta da mesquita fechada, atearam fogo no salão, localizado no térreo do edifício. A Defesa Civil palestina, com ajuda dos moradores, conseguiu controlar as chamas.
O Ataque em Al Mazra al Nubani e Reações Oficiais
Quase simultaneamente, outro ataque ocorreu na localidade vizinha de Al Mazra al Nubani, a menos de dez quilômetros de distância. Ali, um pequeno grupo de colonos lançou um coquetel molotov contra a mesquita Al Faruk Umar ibn al Jattab.
Os agressores fugiram rapidamente quando os habitantes do vilarejo começaram a sair de suas casas, alertados pelo incidente. A ação resultou em danos parciais, com o fogo atingindo apenas uma parte da estrutura da mesquita.
O prefeito Saad Dagher ressaltou que, apesar de já haver relatos de vandalismo contra residências e instalações agrícolas na área, este foi o "primeiro" ataque direto contra uma mesquita na localidade.
Diante da gravidade dos atos, o Exército israelense, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, condenou veementemente os incidentes e informou ter aberto uma investigação para apurar os fatos.
Condenações também vieram do Ministério de Assuntos Religiosos palestino e do movimento islamista Hamas, que governa a Faixa de Gaza. As declarações reforçam a indignação e a preocupação com a segurança dos locais de culto.
Assentamentos Ilegais e o Cenário de Tensão
A Cisjordânia, sem considerar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, é lar de mais de 500 mil israelenses vivendo em assentamentos. Estas construções são consideradas ilegais pela ONU, em contraste com cerca de três milhões de palestinos.
A violência perpetrada por colonos israelenses na Cisjordânia tem atingido um ritmo recorde, conforme dados divulgados recentemente pelas Nações Unidas. A média atual é de alarmantes seis ataques por dia na região.
Este cenário de crescente agressão sublinha a complexidade e a urgência da situação nos territórios palestinos. Os incidentes contra as mesquitas são um grave sintoma da escalada da violência e da tensão contínua na região.
