O chanceler Mauro Vieira aponta crescimento de 10 vezes no intercâmbio com a Asean e aposta em uma nova era comercial para o país.
O Brasil está prestes a redefinir seu mapa comercial, com um foco cada vez maior no Sudeste Asiático. Nesta terça-feira (18), em Brasília, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez uma projeção ousada: o comércio brasileiro com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) deverá superar, em um futuro próximo, os negócios realizados com os Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE).
A declaração foi feita durante um encontro estratégico com o secretário-geral da Asean, o cambojano Kao Kim Hourn, em uma agenda que busca aprofundar os laços diplomáticos e econômicos com a região. A visita de Hourn ao Brasil, a convite do governo, se estende até a próxima sexta-feira (21), com reuniões previstas com ministros, empresários e acadêmicos.
A aposta do Brasil na diversificação comercial ganha ainda mais relevância em um cenário global de incertezas, como o recente aumento de tarifas por parte dos EUA sobre exportações brasileiras. A busca por novos mercados, como o Sudeste Asiático, visa minimizar esses impactos econômicos e fortalecer a posição do país no comércio internacional.
Crescimento Exponencial do Comércio com a Asean
O ministro Mauro Vieira destacou o impressionante avanço do intercâmbio comercial entre Brasil e Asean nos últimos anos. Segundo o chanceler, o volume de negócios cresceu dez vezes entre 2003 e 2025, saltando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões. Esse ritmo acelerado indica uma mudança significativa nas prioridades comerciais brasileiras.
Vieira ilustrou a nova realidade do comércio ao afirmar que o Brasil já exporta mais para Singapura do que para a Alemanha. Da mesma forma, as exportações para Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia já superam as vendas para a França, demonstrando a crescente relevância desses parceiros asiáticos para a balança comercial brasileira.
Em Busca do Status de Parceiro de Diálogo
Além do aumento comercial, o Brasil manifestou o interesse em se tornar um “parceiro de diálogo” da Asean. Atualmente, essa condição de destaque é restrita a potências como EUA, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coreia do Sul. Alcançar esse status solidificaria a posição do Brasil como um ator relevante na região.
O ministro Vieira enfatizou que as duas regiões compartilham um forte interesse em promover o desenvolvimento sustentável, ampliar os fluxos de comércio e investimentos e fortalecer o Sul Global. Essa visão conjunta de cooperação e multilateralismo é um pilar fundamental para a aproximação entre o Brasil e os países do Sudeste Asiático.
Visita da Asean e Visão Compartilhada
Durante o encontro no Itamaraty, o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn, reforçou a importância atribuída à parceria com o Brasil. Ele descreveu a relação entre a Asean e o Brasil como uma das mais dinâmicas e sustentáveis na América Latina, expressando o desejo de estreitar ainda mais esses laços.
Kao Kim Hourn identificou diversas áreas promissoras para aprofundar a cooperação, incluindo a esfera econômica, com comércio e investimentos, além de inovação, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, agricultura, energia renovável e ação climática. O secretário-geral ressaltou também o compromisso mútuo com o multilateralismo baseado em regras, diálogo e cooperação internacional, essenciais para enfrentar desafios globais.
Potencial Econômico do Sudeste Asiático
A Asean é um bloco de 11 países que inclui Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja. Juntos, esses Estados-membros somam mais de 700 milhões de habitantes e representam um mercado consumidor gigantesco e em ascensão. Nos últimos dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países da Asean duplicou, passando de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões.
Esse crescimento robusto faz da região um polo de oportunidades para o Brasil, não apenas para a exportação de commodities e produtos agrícolas, mas também para o desenvolvimento de parcerias em setores de alta tecnologia e serviços, alinhando-se aos objetivos brasileiros de diversificação econômica e fortalecimento de sua presença em mercados estratégicos.
Perguntas Frequentes
O que é a Asean e quais países a compõem?
A Asean é a Associação de Nações do Sudeste Asiático, um bloco econômico e político composto por 11 países. Entre seus membros estão Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja.
Qual foi o crescimento do comércio entre Brasil e Asean nos últimos anos?
O comércio entre Brasil e Asean experimentou um crescimento notável, aumentando dez vezes entre 2003 e 2025. O volume de negócios saltou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, demonstrando a crescente importância da região para o Brasil.
Por que o Brasil busca fortalecer laços comerciais com o Sudeste Asiático?
O Brasil busca fortalecer laços com o Sudeste Asiático para diversificar suas exportações e reduzir a dependência de mercados tradicionais como EUA e Europa, especialmente em um contexto de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A região oferece um mercado em expansão e oportunidades de parcerias em diversas áreas.
O que significa para o Brasil ser um "parceiro de diálogo" da Asean?
Ser um "parceiro de diálogo" da Asean significa ter um status privilegiado de cooperação e consulta com o bloco, restrito a grandes potências. Isso permitiria ao Brasil aprofundar laços diplomáticos e comerciais, além de alinhar interesses em desenvolvimento sustentável, comércio e fortalecimento do Sul Global.
