O Copernicus revela menor emissão global por incêndios desde 2003, puxada pela África tropical, mas o fenômeno climático El Niño pode elevar riscos futuros de alta.
O observatório europeu Copernicus anunciou que o primeiro semestre de 2026 registrou o menor nível global de emissões de gases do efeito estufa provenientes de incêndios desde o início da série histórica, em 2003. Esta queda histórica representa uma marca inédita, com o indicador nunca antes caindo abaixo de 500 megatoneladas de carbono.
A significativa redução, que somou menos de 400 megatoneladas de carbono entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, foi principalmente impulsionada pela diminuição dos incêndios sazonais na África tropical, uma região crucial para o balanço global de emissões por queimadas.
Apesar da boa notícia, o órgão alerta para um risco de alta com as condições previstas para o fenômeno El Niño, que historicamente já provocou elevações nas emissões globais em anos anteriores, como em 2015 e 2019, conforme informação divulgada por Jornal de Brasília – Mundo.
Redução Abrangente de Emissões por Incêndios em Diferentes Continentes
A diminuição das emissões de carbono foi observada em diversas regiões do globo. Na África tropical, as emissões caíram de 213 megatoneladas no mesmo período de 2025 para aproximadamente 154 megatoneladas neste ano, uma redução substancial. A Ásia também contribuiu para a queda, com emissões passando de 164 para 113 megatoneladas de carbono.
Na América do Sul, a tendência de recuo foi igualmente notada, embora em menor proporção. As emissões continentais diminuíram de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono no período analisado, evidenciando um esforço ou circunstância favorável em várias frentes contra os incêndios florestais.
Focos de Incêndio Ativos e o Alerta Geográfico
Mesmo com a queda geral, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por focos intensos de incêndio florestal em regiões específicas. Victoria, no sudeste da Austrália, enfrentou grandes queimadas no início de janeiro, assim como Biobío, no Chile, e Chubut, na Patagônia argentina, que também registraram eventos de grande escala.
Esses incidentes isolados, apesar de não terem revertido a tendência global de queda, acendem um alerta sobre a persistência dos riscos em áreas vulneráveis, indicando a necessidade contínua de monitoramento e prevenção rigorosa em escala global.
Preocupação com o El Niño e Declaração de Especialista do Copernicus
Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, expressou preocupação. Ele afirmou que, apesar do recorde de baixa, os incêndios observados nas últimas duas semanas na Eurásia e na América do Norte servem como um aviso, especialmente diante das previsões do El Niño.
Segundo Parrington, as condições climáticas associadas ao fenômeno têm um potencial significativo para elevar as emissões globais decorrentes de incêndios, repetindo padrões observados em anos anteriores de El Niño, como em 2015 e 2019.
Metodologia de Monitoramento e Previsão do Copernicus
O sistema de monitoramento do Copernicus utiliza uma combinação avançada de tecnologias para fornecer dados precisos. Ele se baseia em observações de satélites para estimar a potência dos incêndios florestais e calcular as emissões de carbono e outros poluentes na atmosfera.
Esses dados coletados são então integrados com as previsões detalhadas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), garantindo uma análise abrangente e preditiva sobre o impacto dos incêndios no clima global e na qualidade do ar.
Perguntas Frequentes
Qual foi a principal descoberta do Copernicus sobre as emissões por incêndios?
O observatório europeu Copernicus revelou que o primeiro semestre de 2026 teve o menor nível global de emissões de gases do efeito estufa por incêndios desde o início da série histórica em 2003, totalizando menos de 400 megatoneladas de carbono.
Quais regiões contribuíram mais para a redução das emissões?
A redução foi principalmente impulsionada pela diminuição dos incêndios sazonais na África tropical. Houve também quedas significativas nas emissões por incêndios na Ásia e, em menor grau, na América do Sul.
Qual é o alerta principal do Copernicus para o futuro?
Apesar do recorde de baixa, o cientista sênior Mark Parrington alertou que o fenômeno climático El Niño tem potencial para elevar as emissões globais decorrentes de incêndios, como visto em 2015 e 2019, devido às condições previstas.
Como o Copernicus monitora as emissões de gases?
O sistema do Copernicus usa observações de satélites para estimar a potência dos incêndios e calcular emissões de carbono e outros poluentes. Esses dados são integrados com previsões do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).
