Você já percebeu que a mesma refeição pode gerar respostas metabólicas diferentes ao longo do dia? Segundo a nutricionista Danielle Rangel, o metabolismo do corpo acompanha o ritmo circadiano, nosso relógio biológico natural, o que faz com que a forma como processamos os alimentos varie conforme o horário de consumo. Essa área da ciência, conhecida como crononutrição, estuda como o momento das refeições influencia diretamente o metabolismo e a saúde geral.

“O metabolismo segue o ritmo circadiano. Ao longo do dia, os hormônios e a sensibilidade à insulina variam, fazendo com que a mesma refeição seja metabolizada de forma diferente conforme o horário”, explica Danielle ao Metrópoles. Por exemplo, o corpo é mais sensível à insulina pela manhã, o que permite processar carboidratos com maior eficiência no início do dia, enquanto, à noite, o metabolismo desacelera naturalmente durante o período de jejum.

Estudos recentes mostram que centenas de proteínas no plasma humano apresentam variações ao longo do dia, muitas relacionadas ao metabolismo energético e à homeostase da glicose. Quando há desalinhamento circadiano — como ocorre em trabalhadores noturnos ou pessoas que realizam refeições muito tarde — podem surgir alterações metabólicas importantes, incluindo redução da sensibilidade à insulina, alterações no metabolismo energético e maior risco de obesidade e doenças metabólicas[3].

De acordo com especialistas, pular refeições ou comer muito tarde contribui para alterar a resposta metabólica aos alimentos. Longos períodos em jejum e refeições muito volumosas à noite podem prejudicar o controle da glicemia e a resposta metabólica. A doutoranda Laís Murta afirma que o ideal é consumir alimentos até quatro horas antes de dormir, sugerindo que a última refeição seja realizada antes das 19h, considerando que a maioria das pessoas dorme entre 22h e 23h[2].

“No entanto, o mais importante continua sendo a qualidade da alimentação e o padrão alimentar como um todo”, alerta Danielle Rangel. A crononutrição é vista como um complemento, e não um substituto, de uma alimentação equilibrada e individualizada. Alinhar a alimentação ao relógio biológico pode favorecer um melhor controle glicêmico, maior eficiência metabólica e melhores resultados em saúde, mas o horário deve ser considerado como um fator adicional, não como o único determinante.

Para manter um metabolismo saudável, recomenda-se comer pelo menos três vezes ao dia, com intervalos de 3 a 5 horas, priorizando a maior parte das calorias no início do dia e evitando refeições tardias. Além disso, é essencial manter uma hidratação adequada, escolher lanches saudáveis e praticar atividade física regularmente. Com essas práticas, o corpo pode funcionar de forma mais equilibrada, saudável e feliz, contribuindo para a prevenção de doenças e melhora da qualidade do sono[1].