Após anos buscando liderança no cimento, CSN Cimentos, avaliada em mais de R$ 11 bilhões, se torna a chave para Benjamin Steinbruch reduzir a dívida bilionária da CSN.
O empresário Benjamin Steinbruch, à frente da CSN, reverteu sua ambiciosa estratégia de construir a maior produtora de cimentos do Brasil. Após investir cerca de R$ 6 bilhões em aquisições para consolidar a CSN Cimentos, rivalizando com a Votorantim Cimentos, a alta dos juros e um fracasso na tentativa de adquirir a InterCement impuseram uma nova rota à companhia.
A CSN Cimentos, que se tornou a segunda maior do país, foi colocada à venda como peça central de um plano de desinvestimentos. O objetivo é levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, fundamental para aliviar uma dívida líquida que atingiu R$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com juros que consumiram quase R$ 6,5 bilhões em 2025.
A ironia do mercado se faz presente, pois a própria Votorantim Cimentos está entre as cinco finalistas interessadas na compra da CSN Cimentos, cujo cheque pode superar os R$ 11 bilhões. Além da Votorantim, as brasileiras Polimix, as chinesas Huaxin e Sinoma, e a italiana Italcementi devem apresentar propostas vinculantes no início de agosto, conforme informação divulgada por InvestNews – Negócios.
A Trajetória de Expansão da CSN Cimentos no Mercado Brasileiro
A jornada da CSN Cimentos começou de forma modesta, com apenas duas fábricas localizadas em Arcos, Minas Gerais, e Volta Redonda, Rio de Janeiro. A escalada para se tornar um player relevante no cenário nacional foi rápida e impulsionada por aquisições estratégicas promovidas por Benjamin Steinbruch desde o início da década.
Em 2021, a empresa realizou duas grandes movimentações: a compra da Elizabeth Cimentos, na Paraíba, por R$ 1,08 bilhão, e a aquisição de todos os ativos brasileiros da suíça Holcim por US$ 1,02 bilhão, equivalentes a R$ 5,5 bilhões na época. Estas aquisições catapultaram a CSN Cimentos para a segunda posição no mercado nacional, com uma fatia estimada em 18%.
O Fracasso da InterCement e a Virada Estratégica na CSN
O próximo passo de Benjamin Steinbruch visava consolidar a CSN Cimentos como a maior do Brasil através da aquisição da InterCement, então controlada pela Mover (antiga Camargo Corrêa). As negociações, que se arrastaram até dezembro de 2024, não foram bem-sucedidas, principalmente devido a um impasse sobre o pagamento das dívidas da InterCement, que acabou entrando em recuperação judicial.
Este revés, somado à persistente alavancagem da CSN, que encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma dívida líquida de R$ 40,5 bilhões e um indicador dívida líquida/Ebitda de 3,36 vezes, forçou uma mudança de direção. Embora operar alavancado seja uma característica de Steinbruch, a pressão do mercado e os altos custos com juros, quase R$ 6,5 bilhões em 2025, levaram à decisão de desinvestir em ativos mais recentes do grupo.
Desinvestimentos: Solução Bilionária para a Dívida da CSN
A venda da CSN Cimentos é a peça central do ambicioso plano de desinvestimentos da CSN, que busca levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. Com a expectativa de um cheque superior a R$ 11 bilhões pela unidade de cimentos, a companhia visa reduzir significativamente sua dívida, poupando cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente em despesas com juros.
A estratégia de Benjamin Steinbruch é vender um ativo robusto, mas secundário no portfólio do grupo. Além da CSN Cimentos, a empresa busca arrecadar mais R$ 5 bilhões com a alienação de ativos de infraestrutura, incluindo sua participação na operadora ferroviária MRS e outros negócios de logística. Essa movimentação fortalece o caixa e melhora o risco de crédito da siderúrgica.
O Valor Estratégico da CSN Cimentos no Mercado
A decisão de vender a CSN Cimentos ocorre em um momento de pico de desempenho para a unidade, que registrou uma receita líquida de R$ 4,9 bilhões em 2025 e um Ebitda de R$ 1,29 bilhão no mesmo período. A margem do segmento de cimentos é de 30%, superada apenas pela logística (41%) e mineração (43%) dentro do grupo CSN.
Apesar de sua rentabilidade, o cimento representa apenas 11% da receita total do grupo, cujo coração é a mineração, responsável por mais da metade do faturamento em 2025. Essa lógica permite à CSN extrair um valor considerável de um ativo bem avaliado, mas que pode sair de cena sem comprometer substancialmente o balanço do grupo, ao mesmo tempo em que endereça a urgência na redução de sua dívida.
Perguntas Frequentes
Por que a CSN Cimentos está sendo vendida?
A CSN Cimentos está sendo vendida para a CSN reduzir sua alta dívida líquida, que alcançou R$ 40,5 bilhões, e diminuir os pesados gastos com juros anuais, que superaram R$ 6,5 bilhões em 2025. A venda é parte de um plano estratégico de desinvestimentos totalizando até R$ 18 bilhões.
Quanto a CSN espera arrecadar com a venda da CSN Cimentos?
A CSN espera que a venda da CSN Cimentos gere um valor que pode superar os R$ 11 bilhões, o que será crucial para abater a dívida do grupo e poupar cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente em juros.
Quais empresas estão interessadas na aquisição da CSN Cimentos?
Entre as empresas interessadas na aquisição da CSN Cimentos e que estão na fase final do processo de venda estão as brasileiras Votorantim Cimentos e Polimix, as chinesas Huaxin e Sinoma, e a italiana Italcementi.
Qual era o objetivo inicial de Benjamin Steinbruch com a CSN Cimentos?
O objetivo inicial de Benjamin Steinbruch era consolidar a CSN Cimentos para que ela se tornasse a maior produtora de cimentos do Brasil, investindo cerca de R$ 6 bilhões em aquisições para rivalizar com a líder de mercado, Votorantim Cimentos.
Como a venda da CSN Cimentos impacta a estrutura de negócios da CSN?
A venda da CSN Cimentos, embora represente a saída de um negócio com margens robustas (30% de Ebitda), impacta apenas 11% da receita total do grupo CSN. A empresa foca na redução de dívida e no fortalecimento de seus segmentos principais, como mineração, que responde por mais da metade do faturamento.
