Em uma decisão histórica, a liderança de Cuba aprovou o maior pacote de reformas econômicas em mais de 15 anos, com a implementação de 176 medidas de liberalização distribuídas em 23 áreas centrais, visando resgatar uma economia paralisada sob o peso das sanções dos Estados Unidos[1][4]. O Comitê Central do Partido Comunista aprovou as medidas na quarta-feira (17), conforme relatado pelo jornal estatal Granma, enquanto a Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária na quinta-feira para ratificar as mudanças[1][2].
O presidente Miguel Díaz-Canel, que sinalizou as reformas pela primeira vez na semana passada, afirmou que as mudanças atingem praticamente todos os setores, incluindo energia, agricultura e comércio exterior[2]. O pacote inclui uma descentralização inédita do aparato estatal, a autorização para empresas públicas participarem do mercado cambial e a permissão para investimentos de cubanos residentes no exterior[2]. Entre as medidas mais impactantes, o governo cubano planeja eliminar a maior parte dos controles de preços, que reconheceu terem fracassado no combate à inflação, e permitir que o setor privado opere em mais áreas da economia[1][4].
Além disso, as reformas propõem transformar empresas estatais em sociedades por ações, permitindo que particulares e capital estrangeiro adquiram essas ações, com o Estado mantendo a maioria apenas em setores estratégicos[1]. O plano também inclui a expansão do setor privado, permitindo que empresas cubanas contratam mais de 100 empregantes e que empreendedoras sejam proprietárias de várias empresas, rompendo limites antes impostos para evitar o crescimento do setor[5]. A agricultura ganha autonomia para importar matérias-primas sem intermediários e acesso a moeda estrangeira, enquanto municípios e empresas estatais recebem maior poder para gerir seus próprios ingressos em divisas[2][7].
No entanto, analistas questionam se as reformas serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e ampliou agressivamente as sanções[1][4]. Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e às sanções que afastaram empresas estrangeiras, declarando que a realidade exige mudanças urgentes e que o primeiro dever do Partido é mudar o que precisa ser mudado para sair da crise[2]. O presidente cubano também afirmou que as reformas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica[2].
A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando o aumento da mortalidade infantil como um indicador crítico, enquanto os apagões e a degradação dos sistemas de saúde e transporte se agravam sob o cerco dos EUA[2][4]. O Departamento de Estado dos EUA respondeu que Trump continuará a exercer pressão para impulsionar mudanças econômicas e políticas mais substantivas, exigindo também reformas políticas e uma mudança na liderança do país[5].
