A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta terça-feira (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e fez um novo apelo pela prorrogação da prisão domiciliar humanitária, que completou 90 dias. O advogado Paulo Cunha Bueno relatou nas redes sociais que Moraes ouviu "com muita urbanidade" os argumentos sobre o estado de saúde do ex-presidente e as explicações acerca da arma apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz no dia 15 de junho[1][4].

Bueno afirmou que os argumentos sobre ambos os tópicos são relevantes e fundamentados, justificando a manutenção do regime domiciliar[1]. Após o término do prazo inicial, familiares e aliados do ex-presidente esperam a prorrogação do benefício[4]. Embora Moraes tenha mostrado disposição inicial para renovar o prazo, a apreensão da arma acendeu um alerta no ministro, que em despacho da semana passada sinalizou que o episódio pode ensejar a cessação da prisão domiciliar[1][5].

A PGR, entretanto, defende que a apreensão da pistola, por si só, não configura falta grave e sugere aguardar as investigações da Polícia Civil do DF antes de definir se a conduta deve levar à revogação do benefício[5][6]. A defesa de Bolsonaro alega que o percussor da arma foi removido pela equipe de segurança sem o conhecimento do ex-presidente, para evitar acidentes, e que, ao notar a falha, ele ordenou que o segurança levasse a pistola para conserto[1].

Interlocutores do ex-presidente acreditam que a disposição de Moraes seria encerrar a prisão domiciliar, mas a posição da PGR pode fazer diferença[1]. Outros ministros do STF preferem que Bolsonaro seja mantido em casa, evitando o desgaste da Corte com o agravamento de sua saúde[3]. Bolsonaristas afirmam que o retorno de Bolsonaro à Papudinha (unidade conhecida como Papudinha) daria a Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, uma plataforma eleitoral mais robusta baseada na suposta perseguição ao pai, além de gerar turbulência política e colocar a vida do ex-presidente em risco[1].

Quem esteve com Bolsonaro nos 90 dias afirma que sua saúde teve melhora, com crises de soluço menos frequentes, mas ressalta que seu estado ainda é frágil e poderia não suportar nova prisão[1]. O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado e cumpre pena em casa desde 27 de março, após alta de internação hospitalar por broncopneumonia[1].

Fonte original: Notícias ao Minuto – Política.