A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a **remoção do limite de tempo** para reuniões com o ex-presidente, que está sob prisão domiciliar humanitária. O objetivo da equipe é **preparar Bolsonaro** para seu depoimento sobre uma arma de fogo registrada em seu nome, apreendida por policiais em uma blitz com um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Na quinta-feira (25), Bolsonaro completou **90 dias de prisão domiciliar humanitária** na residência onde cumpre a medida, desde a alta do Hospital DF Star. A Polícia Civil do Distrito Federal realizou o depoimento presencial na terça-feira (23), na casa do ex-presidente, conforme autorização de Moraes.
Em sua petição, a defesa argumenta que a medida é **indispensável ao pleno exercício da garantia constitucional da ampla defesa**, permitindo a necessária interlocução entre o custodiado e seus patronos antes da realização do ato. A defesa sustenta que a arma é de propriedade de Bolsonaro, estava devidamente registrada e que não houve determinação judicial para cancelamento do registro ou entrega do objeto.
A investigação começou após a apreensão da **pistola Glock 9 mm** e de um carregador sobressalente em Taguatinga, na madrugada de 15 de junho. O militar Estácio Leite da Silva Filho, servidor do GSI, afirmou que a arma foi entregue a ele para reparo devido a uma pane e que seria devolvida no dia seguinte. Em depoimento, o militar relatou que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de realizar o reparo.
A **defesa de Bolsonaro confirmou** que o ex-presidente é proprietário da arma e que teria constatado falha na pistola, solicitando o conserto a Estácio, que possui expertise no tema. Segundo o advogado Paulo Bueno, que acompanhou o depoimento, Bolsonaro **confirmou que pediu ao militar ajuda para consertar a arma** após constatar que ela não funcionava.
O depoimento de Bolsonaro durou **apenas 5 minutos**, conforme informado pela defesa. O advogado Paulo Bueno afirmou que "em momento algum houve intuito de descumprir qualquer determinação legal" e tratou o episódio como "criminalmente acromático", ou seja, sem relevância penal. A defesa aguarda o **arquivamento do inquérito** em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal.
Moraes deve decidir nesta quinta-feira (25) se a **prisão domiciliar será mantida** ou se Bolsonaro volta para a prisão, ao fim do prazo de 90 dias. Na decisão que permitiu a reclusão do ex-presidente em casa, o ministro afirmou que iria reanalisar "a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade".
Ainda nesta semana, Moraes deu **prazo de 48 horas** para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a arma apreendida. O magistrado solicita que a PGR e a defesa de Bolsonaro expliquem a situação envolvendo a pistola Glock 9 mm, colocando como prazo final a data que encerra o prazo de 90 dias de prisão domiciliar.
