Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Scientific Reports em abril de 2026 aponta que pacientes diabéticos infectados pela Covid-19 tiveram recuperação mais lenta, maior incidência de complicações da Covid longa e necessidade de acompanhamento médico prolongado[1][3]. O acompanhamento de 870 pacientes diabéticos durante sete meses após a internação hospitalar revelou que esses indivíduos, além de demorarem mais para se recuperar do vírus, apresentam riscos significativamente maiores de doenças cardiovasculares — como infarto e angina — comparados a pacientes não diabéticos[1][3].

Entre os achados do estudo, destacam-se pior qualidade de vida, fragilidade elevada, maior incidência de quedas (21% dos diabéticos contra 11,1% dos não diabéticos), dificuldade de mobilidade, redução na capacidade de praticar atividades físicas e diminuição de domínios físicos e cognitivos[1][3]. A análise comparativa incluiu 320 pacientes com diabetes mellitus e 550 sem a doença, todos integrantes de um estudo maior da FAPESP com mais de 3.000 internados entre março e setembro de 2020, durante a primeira fase da pandemia[1][3].

Conforme os resultados, 94,3% dos pacientes sem diabetes apresentaram recuperação completa, enquanto apenas 89,8% dos diabéticos atingiram o mesmo patamar[1][3]. O estudo evidenciou que o vírus causa inflamação sistêmica no sistema cardiovascular, agravada pela toxicidade do coronavírus, tornando o coração um dos principais alvos da infecção em diabéticos[1][3]. Além disso, 7,3% dos indivíduos sem diabetes que participaram do estudo desenvolveram diabetes após a infecção, sugerindo que a Covid-19 pode desencadear a doença em pessoas com predisposição[1][3].

Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-USP), reforça que o diabetes não é apenas um fator de risco para a Covid-19 aguda, mas prejudica a qualidade de vida a longo prazo, com sequelas que podem persistir por anos[1][3]. "É importante entender como a Covid-19 impacta o diabetes ao longo do tempo", afirma a especialista[1][3].

Fonte original: Metrópoles – Saúde.