O dólar registrou queda de 0,47% frente ao real, cotado a R$ 5,17, nesta quinta-feira (25/6), enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,87%, aos 171,9 mil pontos[1]. Os mercados de câmbio e ações entraram no modo “bom humor” com a divulgação de dados considerados positivos sobre a inflação nos Estados Unidos e no Brasil[1].

Entre os fatos considerados positivos ao longo do pregão, o destaque foi para dados sobre inflação. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos subiu 0,4% em maio, segundo informações divulgadas pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), com elevação acumulada em 12 meses de 4,1%, números dentro das previsões dos economistas[1]. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação do país, avançou 0,41% em junho, 0,21 ponto percentual abaixo da taxa de maio (0,62%), com elevação de 4,80% em 12 meses, segundo dados do IBGE[1]. Os resultados ficaram ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que projetava 0,44% no mês e 4,82% em 12 meses[1].

Para analistas, a composição do índice foi positiva, pois mostrou desaceleração em itens importantes como alimentos e serviços, o que contribuiu para a queda dos juros futuros[1]. Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que a queda do dólar refletiu o alívio inflacionário inicial no Brasil e no exterior, impulsionado pelo IPCA-15 abaixo do consenso e pelo PCE de maio em linha com as expectativas[1]. Nicolas Gass, da GT Capital, destaca que a alta Bolsa foi um “movimento mais doméstico do que externo”, com o IPCA-15 abaixo do esperado como principal gatilho, aliviando as curvas de juros e ajudando o Ibovespa[1].

No entanto, à tarde, os ganhos do real foram limitados pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O petróleo voltou a subir nesta quinta-feira, depois de ter caído na véspera ao nível mais baixo desde o início da guerra, com o barril do tipo Brent (referência internacional) subindo 2,21%, a US$ 75,50, e o West Texas Intermediate (WTI) avançando 2,25%, a US$ 71,92[1]. A cotação balançou após relatos de um ataque do Irã a um navio no Estreito de Ormuz, área de escoamento de cerca de um quinto da produção mundial da commodity[1]. Girardi observa que novas reviravoltas no Oriente Médio podem impulsionar sentimentos de aversão a risco desfavoráveis ao real[1].