O dólar iniciou a sessão de terça-feira (23/6) em alta de 0,78%, cotado a R$ 5,18, reduzindo parcialmente a queda registrada na véspera, quando a moeda recuou 0,46% e foi negociada a R$ 5,14. No mesmo dia, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrou queda de 0,44%, aos 169,3 mil pontos, em contraste com o avanço de 1,21% alcançado na manhã anterior, aos 170,3 mil pontos[1][2].

A movimentação cambial e de mercado foi impulsionada pela divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que sinaliza que os juros podem permanecer elevados no Brasil por mais tempo. O documento aponta uma deterioração do cenário inflacionário, com expectativas de inflação acima da meta para 2026 e 2027, e destaca que uma piora na inflação exigiria "variações abruptas" na Selic caso não fosse evitada[1][5].

Diante desse quadro, o Banco Central sinalizou a necessidade de manter a taxa básica de juros em patamar elevado por mais tempo, com a Selic atualmente fixada em 14,25%. O Copom reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária, incorporando novas informações sobre a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre o nível de preços[1][2].

No cenário externo, a principal fonte de alívio vem dos sinais de avanços nas negociações no Oriente Médio, conforme declarado pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou que o Irã concordou em se submeter a inspeções nucleares. Embora Teerã nega tais informações, o balanço geral do noticiário sobre a guerra é considerado positivo, mantendo o preço do petróleo em queda. Às 10h30, o barril Brent caiu 1,13%, a US$ 77,02, enquanto o WTI baixou 1,03%, a US$ 73,10[1][2].

As bolsas, por outro lado, enfrentam um clima adverso para aportes de risco. As ações de empresas de tecnologia despencaram com a venda de papéis, provocada por novas dúvidas sobre a rentabilidade de negócios ligados à inteligência artificial. O maior baque foi registrado pelo índice Kospi da Bolsa de Seul, que fechou em queda de 9,9%, após perdas de SK Hynix e Samsung, que caíram mais de 12% na véspera em Wall Street[1][2].

Em suma, um conjunto de incertezas ronda os mercados de câmbio e ações, reduzindo o chamado "apetite por risco". Em situações como essa, a tendência é de alta do dólar e queda das bolsas, conforme observado na sessão de terça-feira[1][2].