Arqueólogos descobriram duas batatas liofilizadas com aproximadamente 500 anos de idade em um depósito inca no Peru, no sítio arqueológico de Tambo Viejo, localizado no vale de Acarí. O alimento, conhecido tradicionalmente como chuño, data da época pré-colombina, antes da chegada dos espanhóis ao território sul-americano[1][2].
O achado foi liderado pelo professor de arqueologia Lidio Valdez, da Universidade de Calgary (Canadá), e os resultados foram publicados na revista Journal of Field Archaeology em maio de 2026[3][4]. As batatas foram encontradas dentro de um vaso de barro enterrado no chão, junto a um pedaço de cerâmica inca e uma ferramenta para fiar fibras têxteis[1].
Para produzir o chuño sem tecnologias modernas, os incas expunham as batatas à geada noturna e ao sol diurno por vários dias, em montanhas com cerca de 3,6 mil metros de altitude. Essa técnica evapora quase toda a umidade do alimento, tornando-o mais resistente e durável[1][2]. O chuño era transportado por lhamas e servia de alimento para diversas regiões da civilização inca[2].
Valdez revelou que os incas também usavam a mesma técnica para conservar carne, produzindo a carne seca. A liofilização provavelmente era utilizada antes da ascensão do Império Inca. A conservação das batatas até os dias atuais foi possível devido às condições secas do Vale de Acarí[3].
“Ainda temos muito a aprender com os povos do passado. A segurança alimentar é uma grande preocupação hoje, mas desperdiçamos alimentos talvez mais do que em qualquer outro momento da história da humanidade”, afirmou o cientista em entrevista ao portal Live Science[3].
Fonte original: Metrópoles – Ciência.
