Duas pessoas em situação de rua foram encontradas mortas em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, em menos de 24 horas, durante uma noite de frio intenso. O primeiro caso ocorreu na madrugada de quarta-feira (24/6), quando um homem de 44 anos foi localizado sem vida no centro da cidade. No dia seguinte, na manhã de quinta-feira (25/6), uma mulher de 43 anos foi encontrada morta em outro ponto do centro municipal[2].

A Polícia Civil investiga as circunstâncias das duas mortes, com foco na possibilidade de hipotermia causada pelas baixas temperaturas registradas nos últimos dias. Na quinta-feira, a temperatura mínima chegou a 10,5°C, enquanto na noite anterior os termômetros marcaram 12,6°C[2]. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a mulher foi encontrada já sem vida e sem sinais aparentes de violência. O caso foi registrado como morte suspeita e a perícia foi acionada[2].

Casos de vulnerabilidade social e recusa de acolhimento A mulher, de 43 anos, estava em situação de rua há cerca de seis meses devido à dependência de álcool. Apesar de ter familiares em Mogi das Cruzes que tentavam convencê-la a voltar para casa, ela recusava a ajuda. Nos últimos 60 dias, recebeu 12 atendimentos das redes de assistência social e saúde, incluindo uma internação no Hospital Municipal, onde solicitou alta espontânea antes do término do tratamento[2]. Na noite anterior à morte, por volta das 17h, foi abordada por equipes da Prefeitura, mas recusou acolhimento e cobertor, alegando que tinha agasalhos e pretendia pernoitar em um hotel[2].

O homem, de 44 anos, viveu em situação de rua por quase 10 anos na cidade, onde também possui familiares, mas sem vínculo devido à dependência química. Ele já havia sido acolhido permanentemente três vezes pela Secretaria Municipal de Assistência Social, mas sempre evadiu-se das unidades. Ao longo dos anos, recebeu quase 400 atendimentos, e havia uma vaga reservada para pernoite em instituição parceira na véspera do óbito[1].

Operação Inverno e expansão de vagas A Prefeitura de Mogi das Cruzes informa que, durante a "Operação Inverno" (de 1º de junho a 31 de agosto), a Secretaria Municipal de Assistência Social ampliou 20% o número de vagas para pernoite, disponibilizando 34 novas vagas em instituições parceiras. As equipes de abordagem oferecem encaminhamento para centros de acolhimento diurno, onde as pessoas podem tomar banho, trocar de roupa, se alimentar e ser encaminhadas para abrigos de pernoite[2]. É importante destacar que a adesão aos serviços ofertados ocorre de forma espontânea, conforme pontuado pela gestão municipal[2]. Por conta das baixas temperaturas, os agentes municipais atuam em horário estendido, até as 21h, e nos dias abaixo de 10°C, até as 22h[2].

Fonte: Metrópoles – São Paulo.