Monitor do PIB da FGV aponta crescimento apesar da Selic elevada e do barril de petróleo caro, impulsionado por consumo e exportações.

A economia brasileira registrou um crescimento modesto, mas significativo, de 0,1% na passagem de março para abril deste ano, de acordo com as estimativas mais recentes. Este avanço ocorreu mesmo diante de um cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e pelo aumento no preço do barril do petróleo.

Na comparação com abril do ano passado, a expansão da economia brasileira foi mais robusta, atingindo 1,8%. Os dados também indicam um crescimento de 1,8% no trimestre móvel encerrado em abril (fevereiro/março/abril) em relação ao mesmo período do ano anterior, e uma expansão de 2% no acumulado de 12 meses.

Essas informações são parte do Monitor do PIB, um estudo mensal essencial para compreender a dinâmica do Produto Interno Bruto (PIB) do país, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado nesta quinta-feira, conforme informação divulgada por Agência Brasil - Economia.

Crescimento em Meio a Desafios: A Visão da FGV

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa do Ibre, destacou que a alta de 0,1% reflete uma economia estável. Ela salientou que isso ocorre apesar de o país enfrentar obstáculos tanto internos quanto externos, exigindo cautela na análise do cenário.

“A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, afirmou Trece, ressaltando a capacidade de adaptação do mercado.

Durante praticamente todo o mês de abril, a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, manteve-se em um patamar elevado de 14,75%. Esta estratégia do Banco Central (BC) visa prioritariamente conter a inflação, desestimulando o consumo e, assim, forçando uma moderação nos preços.

Apesar da manutenção em patamar alto, o BC realizou um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) na Selic ao final de abril, movimento repetido em meados de maio, estabelecendo a taxa em 14,25%. A prudência do BC nos cortes reflete a preocupação com o cenário externo, notadamente a elevação do preço do petróleo.

A guerra no Irã, mencionada pela economista, impulsionou o preço do barril de petróleo globalmente, com impactos diretos no encarecimento de combustíveis como o óleo diesel e a gasolina no Brasil. O governo agiu com medidas como corte de tributos e subsídios para produtores e importadores, buscando mitigar esses efeitos.

Consumo das Famílias e Exportações Impulsionam a Atividade

O Monitor do PIB da FGV revelou que o consumo das famílias foi um dos grandes motores da economia no período. No trimestre móvel encerrado em abril, este componente cresceu 2,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo o maior patamar de alta desde o trimestre terminado em fevereiro de 2025.

As exportações brasileiras também apresentaram um desempenho notável, com um crescimento expressivo de 9,3% no mesmo trimestre móvel. Deste total, aproximadamente 60% do resultado positivo foi atribuído “ao bom desempenho das exportações de produtos da indústria extrativa, que cresceram 27,8%”, conforme detalha o estudo da FGV.

Recuperação dos Investimentos e Cenário Monetário

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), um indicador crucial que mede os investimentos na economia, como a aquisição de máquinas e equipamentos, registrou uma expansão de 0,7% no trimestre móvel. Este é um dado relevante, pois marca a primeira alta após quatro trimestres móveis consecutivos de recuo, sinalizando uma retomada.

O estudo da FGV também estima que a taxa de investimento da economia em abril foi de 18%. Em termos monetários, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado no ano até abril, em valores correntes, é estimado em R$ 4,376 trilhões, evidenciando o volume da atividade econômica.

Outros Termômetros Econômicos e Expectativas Futuras

O Monitor do PIB da FGV é um dos diversos estudos que servem como importantes termômetros para avaliar a saúde da economia brasileira. Outro levantamento de grande relevância é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

Divulgado recentemente, o IBC-Br indicou uma expansão de 0,5% na passagem de março para abril, e um crescimento de 1,6% nos últimos 12 meses. Esses dados complementam a visão da FGV, mostrando uma convergência nos indicadores de atividade econômica.

O resultado oficial do PIB brasileiro é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre, a economia cresceu 1,1%. A próxima divulgação oficial, que trará os dados referentes ao segundo trimestre de 2026, está prevista para 1º de setembro.