Steve Witkoff, emissário de alto escalão do governo dos Estados Unidos, viajou nesta terça-feira (30) ao Catar, onde estão previstas reuniões com representantes do Irã em Doha durante a semana. Embora Donald Trump tenha anunciado que o encontro seria uma negociação, Teerã insiste que serão apenas conversas técnicas, sem negociações diretas com Washington[1][2].
Um funcionário americano de alto nível afirmou que os dois países decidiram interromper os ataques, que ocorreram no fim de semana apesar da assinatura, em 17 de junho, de um protocolo de acordo para acabar com o conflito no Oriente Médio[1]. Trump escreveu em sua plataforma Truth Social na segunda-feira (29): "O IRÃ PEDIU UMA REUNIÃO. VAI ACONTECER AMANHÃ EM DOHA!"[1].
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, anunciou no canal Fox News que Witkoff e Jared Kushner viajariam a Doha "esta semana para participar de reuniões de alto nível"[1]. A CNN, citando dois funcionários do governo americano, informou que Witkoff já estava a caminho de Doha[1].
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, inicialmente, negou a reunião, mas na segunda-feira confirmou o envio de uma "delegação de especialistas" a Doha para discutir a implementação das cláusulas do protocolo de acordo[1]. Esmaeil Baqaei, porta-voz da diplomacia iraniana, explicou que os países ainda não estão na etapa de negociação de um acordo definitivo e que Teerã não participará nos próximos dias de "nenhuma reunião de negociação com a parte americana em nenhum nível"[1].
A tensão entre Washington e Teerã envolve sobretudo a gestão do estratégico Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% dos hidrocarbonetos consumidos no planeta[1]. A rota marítima foi reaberta na semana passada, depois de permanecer bloqueada pelo Irã desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica[1].
Washington acusou Teerã de ter atacado dois navios na semana passada e bombardeou a República Islâmica na sexta-feira. O governo iraniano respondeu com ataques contra posições americanas na região do Golfo. As hostilidades, que se prolongaram até domingo, colocaram em risco o memorando de acordo assinado em 17 de junho para acabar com a guerra no Oriente Médio[1].
Fonte original: Carta Capital – Mundo.
