A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) formalizou nesta terça-feira (23) um pedido ao Ministério Público Federal (MPF) para que a Justiça proíba a divulgação de apostas esportivas por comentaristas durante transmissões de partidas esportivas[1]. A iniciativa surge em um contexto de crescente presença das casas de apostas no futebol brasileiro e de intensas críticas sobre a normalização das bets em espaços de grande audiência[1].

Segundo a parlamentar, profissionais da área esportiva têm utilizado a credibilidade associada à sua função para estimular apostas entre os telespectadores, inclusive por meio da recomendação de palpites e da divulgação de odds — as cotações usadas pelas plataformas para indicar possíveis ganhos[1]. Hilton argumenta que essa prática mistura informação esportiva com publicidade, ampliando a exposição do público a conteúdos de apostas e confundindo o telespectador[1].

“É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem. Mais inaceitável ainda é eles sugerirem apostas em resultados improváveis como uma forma de ganhar dinheiro fácil, dando a entender que o resultado é provável”, criticou a deputada[1]. Ela também destaca que a promoção de bets deve estar submetida a regras rígidas de transparência e identificação, afirmando que, se dependesse dela, a publicidade desse setor sequer existiria[1].

O pedido encaminhado ao MPF busca que a Justiça proíba especificamente que comentaristas esportivos divulgam apostas durante eventos esportivos, especialmente em transmissões de grandes competições como a Copa do Mundo FIFA 2026, onde a quantidade de inserções publicitárias de casas de apostas gerou forte reação de telespectadores e analistas de mídia[2]. A deputada, que é crítica da expansão do mercado de apostas no país, reitera que “Bet não é esporte. É jogo de azar”, associando o setor a problemas como endividamento e vício[3]. O pedido será analisado pelo Ministério Público Federal[3].