A esperança de encontrar sobreviventes vivos nos escombros dos terremotos que devastaram a Venezuela **diminui drasticamente** nesta segunda-feira, 29 de junho. A frustração com a resposta do governo cresce em meio a uma tragédia de **1.450 mortos** e **dezenas de milhares de desaparecidos**, conforme balanços parciais. A região de La Guaira, a área mais afetada, localizada a 40 km de Caracas, foi transformada em uma **zona de guerra**, com prédios desabados como castelos de cartas e transformados em montanhas de areia e escombros.

Imagens de drone da AFP mostram colunas de fumaça sobre os escombros, enquanto bairros inteiros foram destruídos. O **terremoto duplo**, ocorrido na quarta-feira às 18h06 (hora local), com magnitudes de **7,2 e 7,5**, foi o mais forte registrado na América Latina desde 1900. Cerca de **800 edifícios** desabaram, sendo 189 totalmente destruídos, em um país já fragilizado por uma grave crise política e econômica.

A **janela crítica de 72 horas** para resgates sob os escombros já se encerrou. Especialistas alertam que, após esse prazo, a tarefa se transforma basicamente na **recuperação de cadáveres**. "Todos dizem que não há mais ninguém, mas nós continuamos esperando aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém", declarou Eduardo Cardozo, trabalhador rural que viajou para ajudar nos resgates em Tucacas, na costa. Luis Salas, voluntário de 27 anos, relatou a dor de encontrar pessoas sem vida nos túneis onde entravam rastejando para remover escombros.

Em meio à tragédia, uma **luz de esperança** surgiu: um homem e seu filho adolescente foram resgatados no domingo em La Guaira. Socorristas de **24 países** trabalham sem cessar, com helicópteros e aeronaves americanas Osprey V-22 sobrevoando a região. No entanto, a população não esconde a **revolta com a ajuda insuficiente e lenta do governo**. "Nós mesmos fazemos tudo. Confiando em Deus, acreditamos que Ele nos ajudou", declarou Dayana Lean, de 51 anos, na praia Los Cocos. "Há poucos espaços habilitados como abrigos para a quantidade de pessoas que estão nas ruas", disse Yelit Contreras, de 28 anos.

"Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades", afirmou Héctor Aguilera, de 60 anos, que perdeu quatro familiares soterrados sob um prédio desabado. O balanço oficial mais recente é de **1.450 mortos** (20 a mais que no sábado) e **3.150 feridos**. O governo evita falar de desaparecidos, mas a ONU calcula que mais de **50 mil pessoas** estão soterradas.

La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10 mil mortos. Agora, a destruição é comparável. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou que **189 edifícios** sofreram colapso total e que o total de imóveis afetados é de **774**. A ONU estima que os terremotos podem deixar **quase sete milhões de afetados** e danos materiais de **6,7 bilhões de dólares** (cerca de 34,6 bilhões de reais), 6% do PIB do país petrolífero.

O governo **militarizou La Guaira** e impôs a exigência de **permissão para salvar vidas** para que socorristas, médicos e voluntários possam acessar a região do desastre. "Uma permissão para salvar vidas, imagina só", reclamou Carlos Itriago, socorrista de 27 anos. O governo também tenta controlar a cobertura da imprensa internacional, levando-a de ônibus a áreas específicas para evitar epidemias. Ofertas de ajuda se multiplicam, mas a AFP presenciou **saques em La Guaira**, com farmácias e supermercados sendo invadidos. Milhões de venezuelanos partiram para o exílio nos últimos anos devido à crise econômica.

O aeroporto internacional de Caracas reabriu parcialmente no sábado e recebe voos de carga com ajuda dos Estados Unidos. O Exército dos EUA enviou aeronaves e helicópteros para resgates, e militares entregaram suprimentos no porto de La Guaira. A líder da oposição, **María Corina Machado**, afirmou no domingo ao canal Fox que retornará à Venezuela "muito em breve", dizendo: "Chegou a hora, é meu dever estar ao lado do meu povo".

Fonte original: Carta Capital – Mundo.