Uma esteticista que atua como representante do Sindicato dos Empregadores em Empresas e Autônomos em Estética e Cosmetologia do Estado de São Paulo (Sindestética) foi presa nesta quinta-feira (25/6) em um imóvel que, segundo a polícia, funcionava como clínica clandestina de estética no bairro Embaré, em Santos, no litoral sul da capital paulista.

Simone Santana de Moura, graduada e pós-graduada em estética avançada, recebeu ordem de soltura da Justiça nesta sexta-feira (26/6) mediante pagamento de fiança de cinco salários-mínimos e imposição de medidas cautelares. A polícia afirma que ela realizava procedimentos invasivos irregularmente, extrapolando os limites legais de sua habilitação profissional, sem autorização para realizar anestesia ou intervenções invasivas.

Dos dois imóveis alvo de mandados no bairro Embaré, um funcionava como clínica clandestina e, no outro, foram apreendidos produtos médico-hospitalares, incluindo seringas, aventais, tubos de coleta de sangue, cloreto de sódio, medicamentos analgésicos como cloridrato de lidocaína, Chlorclear e Riohex. A polícia destacou a apreensão de múltiplas unidades de cloridrato de lidocaína, anestésico local injetável usado para bloquear a condução nervosa em procedimentos invasivos e potencialmente dolorosos.

Nas redes sociais, Simone se apresenta como professora e representante do sindicato na posição de “delegada”. Em publicação do sindicato sobre a posse das representantes, ocorrida em 20 de fevereiro, afirma-se que a posse das delegacias representa um marco importante para a estética em São Paulo, garantindo apoio e fiscalização adequados aos profissionais. O evento contou com a participação do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), do ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e da coronel da Aeronáutica, Mariana Rangel.

A polícia declarou que as práticas da esteticista criavam uma falsa percepção de que os procedimentos eram simples e sem riscos, o que não correspondia à realidade devido ao elevado potencial lesivo à integridade física e saúde dos pacientes. O local usado para os procedimentos invasivos tampouco tinha equipamentos necessários para possíveis intercorrências, como oxigênio e desfibrilador.

O caso é desdobramento da prisão do influencer charlatão Matheus Ricardo de Souza Santos, preso no final de abril em Guarujá, que vendia procedimentos com a promessa de “transformar o corpo em 45 dias”, expondo pacientes a riscos biológicos e sanitários severos. A suposta clínica clandestina de Simone foi descoberta durante investigação sobre espaços usados irregularmente como clínicas de estética, após a polícia obter informações sobre o uso das redes sociais para atrair pacientes e induzir a acreditar que o serviço médico era confiável e seguro.

Fonte original: Metrópoles – São Paulo.