Uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Adelaide, na Austrália, busca desvendar se os adoçantes de baixa caloria — amplamente consumidos por quem busca uma dieta mais saudável — realmente influenciam a regulação da glicose e podem elevar o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Para isso, os pesquisadores estão recrutando indivíduos para participar de um estudo que vai testar os cinco adoçantes mais usados globalmente: aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame de potássio.

O objetivo central é examinar como esses substitutos do açúcar interagem com múltiplos órgãos humanos envolvidos no controle do açúcar no sangue, especialmente o intestino, o pâncreas e os rins, além de analisar seu impacto na microbiota intestinal. Segundo o professor associado Tongzhi Wu, coordenador do estudo, compreender os efeitos metabólicos dos adoçantes é fundamental para orientar recomendações dietéticas mais seguras e identificar novos alvos para a prevenção e o controle da diabetes.

"Muitas pessoas optam por adoçantes de baixa caloria acreditando que são mais saudáveis que o açúcar convencional. Embora tenham sido concebidos para substituir o açúcar sem as calorias extras, evidências crescentes sugerem que eles podem não ser tão metabolicamente neutros quanto se pensava", afirmou Wu em comunicado oficial da universidade.

O copesquisador Chris Rayner, também professor, reforça que o excesso de peso é um dos principais fatores de risco para a diabetes tipo 2. "A ciência não é tão simples assim. Embora esses produtos possam ajudar a reduzir a ingestão de açúcar, ainda não entendemos completamente como eles influenciam o metabolismo do corpo a longo prazo", acrescentou.

Dados alarmantes no Brasil e no mundo

No Brasil, os números sobre diabetes são preocupantes. Conforme dados do Ministério da Saúde, divulgados em janeiro, a prevalência da doença aumentou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9%. Esse crescimento acompanha o aumento de outras condições crônicas: hipertensão (31%), obesidade (118%) e excesso de peso (47%), conforme o levantamento Vigitel 2025.

Globalmente, a diabetes é a doença crônica que cresce mais rapidamente, atingindo mais de 462 milhões de pessoas. Na Austrália, cerca de 1,2 milhão de pessoas convivem com a doença. A pesquisa australiana é financiada pelo Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (ligado ao Fundo Futuro de Pesquisa Médica) e pela Diabetes Australia, com o intuito de gerar evidências científicas que possam ajudar a conter essa epidemia.

Fonte original: Metrópoles – Saúde.