Os Estados Unidos celebram neste 4 de julho seu 250º aniversário como uma nação mais próspera e diversa, mas também mais dividida, marcada por polarização política crescente e transformações profundas na identidade nacional[1][2]. Enquanto o presidente Donald Trump projeta uma mensagem triunfalista sobre a grandeza do país, análises do Pew Center revelam um humor público sombrio, com quase o mesmo número de otimistas (48%) e pessimistas (51%) quanto ao futuro da nação[1].

A evolução demográfica dos EUA é um dos reflexos mais claros dessa nova identidade: em 1976, 84% dos americanos se declaravam brancos, enquanto em 2026, a proporção de hispânicos quintuplicou para 20%, e os brancos representam 57% da população[1]. Além disso, a taxa de multirraciais e asiáticos atinge 6% cada, e quase 15% da população nasceu no exterior, contra apenas 4,7% em 1980[1].

A divisão política se aprofundou ao longo das últimas décadas. Segundo o Pew Center, durante o segundo mandato de Trump, os republicanos mostram-se muito mais satisfeitos com a direção do país do que os democratas[1]. A percepção de patriotismo também diverge radicalmente: 91% dos republicanos se consideram patriotas, enquanto apenas 50% dos democratas compartilham dessa visão[1]. Essa divisão levou ao recusa de sete estados democratas em participar do evento 'Great American State Fair', inaugurado por Trump no National Mall em Washington[1].

Apesar das divisões, os principais indicadores econômicos e sociais dos EUA melhoraram inquestionavelmente em meio século: o PIB per capita ajustado à inflação dobrou, atingindo 90 mil dólares; a expectativa de vida passou de 72 para 78 anos; e o desemprego caiu de 7,7% para 4,3%[1]. No entanto, a desigualdade aumentou e a taxa de pobreza permanece estável, em torno de 11%[1].

Curiosamente, o 'sonho americano' ainda é mais forte entre os nascidos fora do país: 77% dos adultos estrangeiros acreditam que o sonho ainda é possível com trabalho duro, contra 66% dos nascidos nos EUA[1]. Essa esperança contrasta com a percepção atual de que 77% dos americanos acreditam que a geração fundadora estaria decepcionada com o país hoje, em comparação com 77% que, em 1976, pensavam que os fundadores estariam satisfeitos[1].

Fonte original: Jornal de Brasília – Mundo.