Em uma mudança radical na política de sanções, o governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as restrições que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, permitindo que refinarias americanas voltassem a comprar petróleo bruto iraniano pela primeira vez em quase 40 anos[1][2]. O Departamento do Tesouro americano emitida na segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando transações em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções[1][3].
A medida representa uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções construída pelo Congresso nas últimas duas décadas, isentando entidades iranianas, incluindo o Banco Central, de sanções relacionadas ao terrorismo, não apenas às do programa nuclear[1][4]. Com a nova autorização, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, facilitando a repatriação de receitas petrolíferas e reduzindo a dependência de redes ocultas de petroleiros sob sanções, majoritariamente usadas para vender a refinarias chinesas[1][2].
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou em entrevista à CNBC que o Irã voltará a facturara suas vendas de petróleo em dólares, um giro que poderia reforçar temporariamente o petrodólar e dar maior visibilidade a Washington sobre os fluxos energéticos de Teerã[3]. A licença geral permite que o Irã produza, venda e entregue petróleo com pagamentos em dólares até 21 de agosto, salvo renovação, e legaliza operações de embarcações previamente restritivas, desbloqueando entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões em receitas por barris varados[3][4].
A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial, e o fim do bloqueio aos portos iranianos imposto em maio[1][4]. Enquanto operadores europeus já procuram comprar petróleo iraniano após o anúncio, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora, apesar da opção legal agora disponível[1][4]. A decisão, anunciada pelo vice-presidente JD Vance, veio acompanhada do anúncio que o Irã concordou em receber de volta inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)[1].
As relações entre EUA e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã, e o embargo total ao petróleo iraniano determinado por Bill Clinton em 1995, que reduziu volumes de 850 mil barris por dia em 1977 a zero[1]. A medida vai além do waiver temporário de março, que permitiu vender petróleo já embarcado, mas mantinha restrições sobre transações em dólar[1].
