Os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções ao petróleo iraniano por 60 dias, até 21 de agosto, em um gesto diplomático histórico que visa favorecer o diálogo com Teerã e reduzir as tensões acumuladas nos últimos anos[1][2]. A licença geral, publicada pelo Departamento do Tesouro na segunda-feira (22), autoriza todas as transações anteriormente proibidas relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana, incluindo a reabertura das portas para importações norte-americanas do produto[1][4].
O anúncio teve impacto imediato nos mercados internacionais: o preço do barril de petróleo Brent do Mar do Norte recuou para US$ 77,60 (cerca de R$ 399,90), muito abaixo do pico de US$ 126 atingido em abril durante o período mais intenso da guerra[2][4]. A medida é considerada a revogação mais abrangente das sanções petrolíferas dos EUA contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e, atualmente, apenas Coreia do Norte e Cuba, também sancionadas por Washington, não estão autorizadas a realizar essas transações[1].
A suspensão das sanções ocorre em meio a negociações de paz iniciadas após um memorando de entendimento assinado na semana passada entre Washington e Teerã, que estabeleceu as bases para a retomada das negociações após quase 40 dias de confrontos militares e semanas de cessar-fogo violado[1][2]. A nova rodada de diálogo começou no domingo, na Suíça, com o objetivo de alcançar, em até 60 dias, um acordo definitivo sobre temas como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais[2][4].
Foram alcançados avanços encorajadores, incluindo a criação de um mecanismo para futuras negociações técnicas e a liberação das exportações de petróleo e petroquímicos, o bloqueio suspenso, parte dos ativos congelados desbloqueada e um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã colocado em marcha[2]. O vice-presidente americano JD Vance afirmou que o Irã concordou com o retorno dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que seria um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente[2]. No entanto, o regime iraniano nega que tenha feito novos compromissos sobre esse ponto, afirmando que já há cooperação com a Agência de Energia Atômica, mas sem novos compromissos adicionais[6].
Na frente libanesa, foi estabelecida uma célula de gestão de conflitos no país, onde não foram relatados ataques ou combates israelenses na manhã desta segunda-feira[2]. Desde 2 de março, as operações israelenses no Líbano mataram 4.106 pessoas, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, e mais de 11 mil edifícios no sul do Líbano foram completamente destruídos pela guerra, com custos estimados em US$ 1,38 bilhão[2]. A incansável mediação do Paquistão e do Catar facilitou avanços promissores rumo ao fim da guerra no Líbano, e o acordo estabelece a interrupção das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, uma das principais exigências de Teerã[2].
Os líderes israelenses, no entanto, expressaram discordância com o texto e insistem que suas tropas continuarão ocupando o sul do Líbano, onde combatem o movimento pró-Irã Hezbollah[2]. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou nesta segunda-feira que houve uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido e que as negociações sobre o assunto ainda não começaram[2].
