Laurent Freixe, ex-presidente-executivo da Nestlé SA, iniciou uma disputa pré-contenciosa com a fabricante suíça de alimentos para recuperar um bônus proporcional e ações não consolidadas que lhe foram retirados após sua demissão imediata em setembro de 2025[1][2]. O executivo de 64 anos, que passou quase 40 anos na empresa, afirma que sua saída foi injusta e que o processo punitivo prejudicou sua reputação e sua capacidade de gerar renda no futuro[1][3].

Freixe foi afastado do comando da Nestlé após apenas um ano como CEO, por não ter revelado um relacionamento romântico com uma subordinada direta durante duas investigações internas, o que a empresa considerou violação do seu código de conduta[1][4]. A Nestlé anunciou que, devido à violação, Freixe não receberia qualquer pacote de indenização[3].

Na defesa, a advogada de Freixe, Vanessa Chambour, do escritório PSF 12 em Lausanne, afirmou que o ex-CEO contesta tanto os fundamentos quanto a forma de sua demissão, alegando que ele foi removido sem ser ouvido e privado de compensações que considerava legitimamente conquistadas[1][2]. Especificamente, Freixe busca o pagamento do bônus referente aos meses trabalhados em 2025 e a restituição de ações vinculadas a três anos de programas de incentivo de longo prazo, que foram perdidos com sua saída[1][3]. A advogada não divulgou os valores cobrados[1].

A disputa representa um desafio para a Nestlé, conhecida por sua cultura corporativa estável, e pode se tornar o conflito de gestão mais proeminente na Suíça desde a saída de Tidjane Thiam do Credit Suisse[3]. Freixe enfrenta dificuldades, pois na Suíça bônus são quase sempre a critério do empregador e não há obrigação legal de pagamento de indenização para executivos demitidos, embora conselhos suíços historicamente tenham sido mais generosos[1]. A Nestlé está sendo representada pelo escritório Homburger AG[1].

Após a demissão, Freixe manteve o título de CEO em seu perfil no LinkedIn por mais de seis meses, mesmo após pedido da empresa para atualização[2]. Além disso, ele não deixou voluntariamente o conselho de administração da Nestlé, permanecendo como membro por vários meses adicionais, o que obrigou a empresa a aguardar até sua assembleia anual em abril para removê-lo formalmente[2][3]. A permanência no conselho fez a Nestlé preparar um plano de contingência com segurança para monitorá-lo durante a assembleia[2].