A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), por envolvimento em um esquema de rachadinha na Câmara Municipal da capital fluminense[1][2].
Fernandes, suspeito de liderar a organização criminosa, e seis ex-assessores também se tornaram réus pelos crimes de organização criminosa e peculato (desvio de dinheiro público)[2]. O ex-vereador Carlos Bolsonaro não integra o rol dos acusados, pois o MP já havia arquivado as apurações contra ele em setembro de 2024, por falta de elementos suficientes para acusação criminal[1][2].
O esquema, que movimentou cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021, consistia na devolução ilegal de parte dos salários dos servidores ao chefe de gabinete, Jorge Luiz, em suposta fraude para nomeação nos cargos[1][2]. A decisão judicial do juiz Marcello Rubioli destacou que a investigação apurou a existência do esquema de rachadinha no gabinete de Carlos e que a justa causa para a denúncia foi amplamente comprovada[1][2].
Dos acusados, Regina Célia, mulher do ex-chefe de gabinete, é apontada como a segunda maior repassadora: recebeu nomeação em 2005 e repassou mais de R$ 800 mil para a conta do marido[2]. Os réus têm prazo de dez dias para apresentar defesa escrita; a próxima etapa é o agendamento de depoimentos de testemunhas[1][2].
O caso foi reaberto pelo MP-RJ no início de 2025, após o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordar dos argumentos para o arquivamento e enviar os autos para análise da Procuradoria-Geral de Justiça[1]. A investigação ainda está em andamento[1][2].
Carlos Bolsonaro, que exerceu mandato na Câmara do Rio por sete legislaturas consecutivas e deixou o cargo no fim de 2025, transferiu o domicílio eleitoral e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina[1]. Sua pré-candidatura foi lançada em evento com o irmão, senador Flávio Bolsonaro, mas enfrenta resistência dentro do PL no Estado, irritando lideranças locais como a deputada Ana Caroline Campagnolo[1]. A família Bolsonaro acabou rifando o senador Esperidião Amin (PP) da aliança, fixando Carlos e a deputada federal Carol de Toni para as duas vagas de Senado[1].
