As exportações brasileiras para os Estados Unidos despencaram e atingiram o menor patamar das últimas três décadas, com uma retração de 16% que somou US$ 14 bilhões em vendas[1]. A queda abrupta é um reflexo direto do "tarifaço" anunciado pelo governo do presidente Donald Trump em julho de 2025, que impôs sobretaxas de até 50% para diversos produtos nacionais[2].
De acordo com dados publicados pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil recuou para 9,3% do total exportado no período entre agosto de 2025 e maio de 2026[1]. Este é o menor percentual registrado para esse intervalo de dez meses desde o início da série histórica, iniciada em 1997[1]. No período anterior (agosto de 2024 a maio de 2025), a participação americana era de 12,4%[1].
O impacto do choque tarifário foi generalizado: 24 dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal registraram queda na participação dos EUA nas exportações[2]. Em oito desses estados, a perda foi superior à média nacional de 3,1 pontos percentuais[2]. Entre os territórios mais vulneráveis, destacam-se Alagoas, Amazonas, Ceará, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina[2].
Os produtos mais afetados pelas tarifas foram açúcares, tabaco, carne bovina e café[3]. A corrente de comércio entre os dois países caiu 14,3% nos primeiros cinco meses de 2026, totalizando US$ 29,5 bilhões[1]. Além disso, o déficit brasileiro no comércio com o mercado norte-americano aumentou 43,3%, atingindo US$ 1,5 bilhão[1]. Atualmente, vigora uma tarifa global de 10% aplicada em fevereiro de 2026, sem definição sobre sua manutenção ou substituição[1].
