O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira, 25 de junho, enviar ao ministro André Mendonça a relatoria da notícia-crime que investiga supostas irregularidades ligadas ao senador Flávio Bolsonaro no caso "Dark Horse" — cinebiografia inspirada em Jair Bolsonaro [2]. A decisão seguiu a recomendação da área técnica do STF e o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontaram conexões formais entre o caso e investigações já sob relatoria de Mendonça, especialmente as que envolvem o Banco Master e Daniel Vorcaro [2].
A notícia-crime foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) em 18 de maio e solicita investigação sobre uma possível ligação entre o financiamento do filme "Dark Horse", os recursos negociados por Flávio com Daniel Vorcaro — então dono do Banco Master — e a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos [1]. Em maio, o site The Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio cobra de Vorcaro valores pendentes referentes a um financiamento de cerca de 134 milhões de reais para a produção da cinebiografia de Jair [1].
A área técnica do STF identificou que duas petições relacionadas ao filme foram distribuídas por prevenção ao ministro André Mendonça em 22 de maio deste ano [2]. Para a PGR, os fatos narrados por Lindbergh guardam relação direta com as investigações em andamento sob a relatoria de Mendonça, especialmente o inquérito "Compliance Zero", que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e Vorcaro [2]. A família Bolsonaro nega as acusações [1].
O ministro Alexandre de Moraes, que já relata o inquérito sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, havia encaminhado o caso à Presidência do STF, mas a PGR defendeu que a relatoria deveria ficar com Mendonça, por ser o responsável pelas investigações sobre o Banco Master [4]. Após a análise técnica, Fachin optou por evitar uma decisão precipitada e, seguindo os achados, atribuiu a Mendonça a condução do caso por prevenção [2].
