As exportações de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz aumentaram significativamente desde a semana passada, impulsionando a oferta global após a guerra com o Irã ter deixado grandes volumes retidos no Golfo Pérsico[1][3]. Desde que Estados Unidos e Irã firmaram um acordo provisório de paz, pelo menos 16 embarcações carregadas com nutrientes agrícolas atravessaram o estreito, e os volumes estão se aproximando dos níveis registrados antes do conflito[1][2].

Segundo dados de rastreamento marítimo compilados pela Bloomberg e pela Kpler, ao menos 18 dos mais de 40 navios que ficaram retidos desde o início da guerra já deixaram a região, a maioria com destino à Ásia[1][4]. As exportações semanais de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz saltaram de praticamente zero durante boa parte da guerra para quase 530 mil toneladas na semana encerrada em 21 de junho[1][5].

Os primeiros registros da semana atual indicam que os embarques continuam se recuperando, com destinos indicados sendo China, Índia e Sri Lanka[1][2]. A Índia é a maior importadora mundial de ureia e fosfato diamônico[1][3]. Um dos navios segue para o Brasil, onde compradores estão reforçando os estoques de fertilizantes antes do plantio da soja, que começa por volta de setembro[1][6].

"Agora que os embarques foram retomados, parte da pressão sobre a oferta deve ser aliviada", afirmou Pranshi Goyal, analista sênior da consultoria CRU Group[1][7]. Embora as cargas ainda possam levar várias semanas para chegar aos compradores, os preços da ureia já despencaram à medida que diminuíram os temores de uma interrupção prolongada no fornecimento[1][8]. A forte reversão em relação às primeiras semanas do conflito reduziu uma das maiores ameaças à inflação global dos alimentos[1][9].

O setor agrícola vinha acompanhando de perto o ritmo dessas saídas, diante da expectativa de que a normalização ocorresse de forma gradual, já que centenas de embarcações transportando diferentes tipos de carga disputam espaço para deixar a região[1][2]. O Golfo abriga algumas das maiores fábricas de fertilizantes do mundo, e a hidrovia responde por cerca de um terço do comércio global de ureia, um dos nutrientes agrícolas mais importantes do planeta[1][3].

Com a demanda aquecida de fertilizantes (47 milhões de toneladas em 2026), o Brasil precisa estar preparado para as pressões globais e a volatilidade do mercado internacional[1]. O preço dos fertilizantes no Brasil é fortemente influenciado pelo câmbio, já que cerca de 85% a 90% do consumo nacional depende de importações[1][3]. Quando o dólar se mantém elevado, na faixa de R$5 a R$6, os custos de aquisição aumentam e pressionam o orçamento do produtor[1][4].

Tensões no Oriente Médio estão impactando o bolso do produtor rural brasileiro e podem elevar ainda mais os custos da safra de grãos 2026/2027[3]. Entre janeiro e abril de 2026, o volume de fertilizantes nitrogenados e fosfatados importados caiu 4% se comparado ao mesmo período do ano anterior, enquanto o valor desembolsado pelo País para importação aumentou 16%, reflexo direto do conflito e impactos do custo logístico[3][5].

O dado mais preocupante não está apenas no preço dos fertilizantes, mas na deterioração da relação de troca: para comprar a mesma quantidade de adubo, o produtor precisa entregar mais sacas de soja ou milho do que em anos anteriores[3]. Em 2026 essa equação está pior do que em 2022, ano marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia[3]. O preço médio por tonelada de ureia ao produtor aumentou 40% no período do conflito do Oriente Médio, enquanto no grupo dos fosfatados, o preço médio do MAP subiu 20%[3].

Até o fim de abril, os produtores haviam comprado menos de 50% do volume planejado de fertilizantes para a safra 2026/27, ante cerca de 60% no mesmo período de 2025[2][6]. A redução na oferta acende um sinal de alerta no campo, e a chegada de um El Niño extremo também pode provocar queda expressiva na produção[2].

Diversos navios que estavam retidos no Golfo Pérsico não transmitem sinais de localização há meses, o que significa que podem ter desligado seus sistemas de rastreamento antes de partir e ainda não os reativaram[1]. Mesmo que a guerra acabe amanhã, a inflação de 2026 está contratada e já ameaça 2027[1].