Originado do termo inglês “maxxing”, que descreve a busca por maximizar resultados, o conceito chegou à alimentação como “fibermaxxing”: uma tendência que incentiva o aumento excessivo da ingestão de fibras. Após o “proteinmaxxing”, que focava no consumo elevado de proteínas, agora ganha força a ideia de que “mais fibras é sempre melhor”. No entanto, especialistas alertam que, embora as fibras sejam essenciais para o funcionamento do intestino, controle da glicemia, redução do colesterol e aumento da saciedade[1][2], o excesso sem equilíbrio pode causar desconfortos significativos ao organismo[2][3].

“Sem a hidratação adequada, o exagero pode trazer desconfortos como dores, gases e até obstipação”, avisa o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita[1]. As fibras solúveis, que formam gel no intestino, ajudam na saciedade e no controle glicêmico[1][2]. As insolúveis, por sua vez, aumentam o volume das fezes e previnem a prisão de ventre[1][4]. Mas, sem água suficiente, elas ressecam o bolo fecal, causando o oposto do esperado: constipação intestinal[1][2][3].

O consumo excessivo de fibras também pode gerar um efeito antinutricional, reduzindo a absorção de minerais como cálcio, ferro, cobre e zinco[1][2][8]. A nutricionista Renata Juliana da Silva, da ETEC Uirapuru, afirma que “nem sempre mais é melhor” e que o fibermaxxing pode se tornar mais uma tendência extrema[2]. Apesar dos riscos, a onda tem um ponto positivo: chama a atenção para um nutriente que a maioria da população consome menos do que deveria. Enquanto a recomendação para adultos é de 25 a 30 gramas por dia[1][2][5], o brasileiro ingere, em média, apenas 15 gramas, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018) do IBGE[2].

Para suprir as necessidades com segurança, a melhor estratégia é incluir grãos integrais, frutas, hortaliças, feijões, castanhas e sementes nas três refeições principais e nos lanches[2]. Produtos enriquecidos com fibras podem ser úteis em alguns contextos, mas é importante ler o rótulo e lembrar que adicionar fibra não torna o produto automaticamente saudável[2]. A suplementação deve ser feita só com aval médico, especialmente para idosos, acamados e gestantes, que podem precisar de adequação criteriosa de tipo e quantidade[2].

Em resumo, exageros nunca são bem-vindos, mesmo com ingredientes cheios de benefícios. O segredo é o equilíbrio e a hidratação: beba, no mínimo, 2 litros de água por dia, especialmente se aumentar o consumo de fibras[1][2].

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