Em um gesto emocionante de superação e amor, o militar José Roberto de Melo Queiroz Filho, de 32 anos, correu 19 quilômetros em Campo Grande (MS) para homenagear sua mãe, Maria Edneuza Guazina, que lutou contra o câncer por 19 anos e faleceu em 6 de junho deste ano[1][2]. Cada quilômetro percorrido representou um ano de resiliência, fé e força da mãe, que enfrentou a doença desde 2007, aos 43 anos[1].
A iniciativa surgiu de maneira espontânea durante uma viagem de mais de 1.500 km entre Alegrete (RS), onde José mora, e Campo Grande, quando ele recebeu a notícia da piora no estado de saúde da mãe[2][4]. No meio do trajeto, recebeu a mensagem de sua irmã informando o falecimento de Maria, que estava internada há uma semana na UTI[4]. Mesmo sem preparo prévio recente e com uma lesão que o impediu de treinar por quase três meses, José decidiu superar seu recorde pessoal de 12 km, chegando aos 19 km[1][4].
O momento mais difícil ocorreu no quilômetro 14, quando José pensou em desistir. Porém, a memória da mãe, que nunca desistiu mesmo com dores e limitações motoras, serviu de combustível para que ele continuasse[4]. Ele relembra os bons momentos, os abraços, as gargalhadas e a força da mãe durante os 19 anos de luta contra o câncer[4].
Ao cruzar a linha de chegada, José ajoelhou-se para agradecer e expressar publicamente a motivação de seu esforço, definindo o ato como uma forma de encerrar o ciclo de luto e transformar o vazio da ausência em combustível para continuar a vida conforme os ensinamentos da mãe[4]. A corrida foi realizada como um rito de passagem para enfrentar o luto e inspirar outras famílias[4].
Maria Edneuza foi diagnosticada inicialmente com câncer de mama em 2007 e, em 2021, a doença apresentou metástase no mediastino, espalhando-se posteriormente para outros órgãos e ossos[4]. Durante os anos de tratamento, ela precisou raspar a cabeça devido aos efeitos da quimioterapia e manteve sua disposição em frequentar cultos religiosos mesmo com dores[4].
José Roberto, que ajudou nos cuidados pós-operatórios e no apoio psicológico à mãe, afirma: "Eu quis correr justamente para materializar a superação dela após cada cirurgia, a vontade que ela tinha de não parar após cada sessão de quimioterapia"[4]. O gesto emocionante transformou a dor da perda em um legado de amor, fé e resiliência, inspirando não apenas a família, mas também outras pessoas que enfrentam situações semelhantes[4].
