Em uma audiência pública marcada para 6 de julho em Washington, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá se posicionar contra a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, defendendo que eventuais punições dos Estados Unidos sejam direcionadas aos "responsáveis pelas práticas investigadas" e não à economia do país como um todo[1][2]. A informação de que Flávio se inscreveu para apresentar argumentos contra um novo tarifaço foi antecipada pela colunista Mônica Bergamo e confirmada pelo empresário bolsonarista Paulo Figueiredo[1][3].

Segundo Figueiredo, Flávio sustentará que a medida proposta pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) acabaria atingindo exportadores brasileiros, importadores americanos e consumidores dos dois países, sem alcançar os responsáveis pelas condutas apontadas na investigação[1]. Entre as reclamações do governo de Donald Trump, que afirma que o Brasil cria desvantagens competitivas para empresas americanas, estão críticas ao uso do Pix, acusações de remoção de conteúdos políticos de plataformas americanas e a alegação de que o país não adotaria medidas suficientes para combater a corrupção[1].

Flávio Bolsonaro argumentará que parte das práticas criticadas pelos Estados Unidos, especialmente relacionadas à moderação de conteúdo em plataformas digitais, decorrem de decisões judiciais e não de legislação aprovada pelo Congresso Nacional[1]. O senador defenderá que medidas de remoção de conteúdo e bloqueio de perfis foram adotadas "à margem da lei" sem aprovação legislativa específica, e que existem mecanismos institucionais em funcionamento nos EUA para contestá-las[1]. A estratégia busca reforçar o argumento de que os temas levantados pela investigação americana fazem parte de uma disputa institucional em curso no Brasil e não deveriam servir de justificativa para sanções econômicas amplas contra o país[1].

Outro ponto que deve receber destaque na manifestação é a defesa do Pix. Segundo Figueiredo, o senador argumentará que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central beneficiou consumidores, empresas brasileiras e também companhias americanas instaladas no país[1]. O USTR cita em sua investigação preocupações com políticas brasileiras que, segundo o órgão, favoreceriam empresas nacionais de meios de pagamento em detrimento de concorrentes americanas[1]. Flávio pretende rebater essa avaliação e afirmar que o Pix não prejudicou investidores estrangeiros nem deveria ser tratado como objeto de negociação comercial[1].

Do lado político, o influenciador bolsonarista e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro estão em Washington nesta terça-feira (23), participando de reuniões com autoridades da Casa Branca[1]. Uma das solicitações deles na capital americana é que os EUA retomem a Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes[1]. O relatório definitivo da investigação deve ser publicado até 15 de julho e cabe a Trump a palavra final sobre a aplicação das medidas[1]. O governo brasileiro não deverá falar na audiência, seguindo a estratégia do Ministério das Relações Exteriores de concentrar atuação nos canais próprios existentes entre os governos[1].