O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, publicou uma carta aberta na noite de quarta-feira (24), em resposta à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após ela divulgar um vídeo relatando ter sido "maltratada e humilhada" por ele durante uma ligação telefônica[1][2]. No texto, Flávio nega ter desrespeitado, maltratado ou humilhado qualquer mulher na vida, afirmando que "jamais faria isso com a esposa do meu próprio pai"[1][2].

Flávio reconhece que a família Bolsonaro está passando por um momento difícil e que as divergências entre ele e Michelle são parte de um processo natural, mesmo quando "indivíduos comprometidos com o mesmo objetivo vejam caminhos diferentes"[2][4]. Segundo o senador, o foco deve permanecer em "livrar o Brasil de Lula e do PT", e não em disputas internas[2][6].

Em relação ao contato com Michelle, Flávio afirma que tentou convidá-la pessoalmente para uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que ela não atendeu à ligação nem respondeu à mensagem deixada[2][3]. "Fiz mais um gesto não correspondido", enfatizou, mantendo o convite de "coração aberto"[2][3].

Michelle, por sua vez, relatou que Flávio foi "ríspido, desrespeitoso e me maltratou ao telefone", dizendo que seria melhor que ela ficasse "de fora das decisões do partido" e que não entendia nada de política, pois havia "chegado ontem"[1][4]. A ex-primeira-dama disse ter levado uma "punhalada" e decidiu expor o atrito que vive há meses com o enteado[5][4].

A divergência política ocorreu no início de dezembro de 2025, quando Michelle criticou publicamente a decisão do diretório cearense do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará[4]. Flávio alegou que a madrasta "atropelava a vontade do pai", enquanto o irmão Eduardo classificou o posicionamento como "injusto e desrespeitoso" com o deputado André Fernandes, que articulou o apoio ao candidato[4].

Após a repercussão do vídeo, Flávio pediu desculpas caso tenha ofendido Michelle, afirmando que "não teve intenção de ofendê-la" e que mantém respeito pelo trabalho dela no PL Mulher e pelo cuidado com o pai[1][2]. A deputada Bia Kicis comentou que o episódio "caiu como uma bomba", mas que Flávio deu uma resposta "fina e elegante"[7].

Michelle, no entanto, afirma que Flávio não fez esforços para reaproximar-se após a crise no Ceará e que, desde então, não o procurou mais, mantendo-se "recolhida"[4]. A ex-primeira-dama também ressaltou que, desde 2023, tem articulado com lideranças femininas pelo Brasil, contribuindo para a eleição de 4.000 mulheres no partido[4].

Flávio reforçou que a reunião com lideranças femininas está mantida para a próxima quarta-feira (1º), em Brasília, e que o convite para Michelle segue de pé[2][6]. "O diálogo, o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho", afirmou, destacando que o Brasil precisa se livrar do PT e que sozinho é mais difícil resgatar o país[6].