Aliados e coordenadores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência expressam forte preocupação com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliam como indicativas de uma possível disposição dos ministros de ignorar regras eleitorais e esvaziar as competências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito de outubro de 2026. Segundo a avaliação do grupo, a atuação do STF pode prejudicar diretamente o senador na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repetindo a acusação feita pelo pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, de que a Justiça Eleitoral interferiu no resultado do pleito vencido por Lula, o que motivou reações golpistas na época.

O receio de parcialidade do STF já foi exposto publicamente por Flávio e pelo coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e motivou reuniões com o presidente da corte, Edson Fachin. Integrantes da campanha avaliam que a Primeira Turma do STF, composta majoritariamente por ministros considerados adversários políticos do bolsonarismo — Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia —, está se preparando para atuar como uma instância revisora de decisões do TSE, fazendo frente à gestão do presidente Kassio Nunes Marques, nomeado por Bolsonaro.

Aliados de Flávio afirmam que, apesar dos apelos a Fachin, não há saída, pois acreditam que o presidente do STF não tem perfil de enfrentamento aos demais ministros. Da mesma forma, o entorno do senador não vê Kassio como aliado incondicional e duvida da disposição dele de se opor à Primeira Turma, embora reconheça que o ministro, ao menos, não irá perseguir Flávio na condição de presidente do TSE, como Moraes fez com Bolsonaro em 2022.

Na última terça-feira (16), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, acusou a Primeira Turma de ter como objetivo tirá-lo das eleições ao condená-lo por coação. No Rio de Janeiro, o STF mantém o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, no cargo de governador em vez do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), decisão que bolsonaristas consideram uma quebra da linha sucessória. Couto está no cargo graças a uma liminar de Zanin. Em Roraima, o caso é visto como especialmente grave: o ministro Flávio Dino anulou uma decisão do TRE e alterou o prazo de desincompatibilização para um mandato-tampão de governador, tornando inelegível Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista, que teve a maioria dos votos.

Defensores da atuação do STF afirmam que é papel da corte revisar decisões do TSE e agir sempre que acionada, lembrando que os casos do Rio e de Roraima foram levados ao Supremo por meio de provocações de partes interessadas somente após o TSE ter demorado cerca de dois anos para resolvê-los. Na semana passada, Marinho usou a tribuna do Senado para afirmar que o TSE impediu a direita brasileira de dizer a verdade em 2022, em referência a decisões de remoção de conteúdo, e que neste ano ocorre o contrário: "Esse TSE [...] que influiu no resultado da eleição de forma parcial, agora, com um novo quadro, é atropelado".

Em abril, depois de Moraes abrir um inquérito para investigar Flávio por suspeita de calúnia, o senador afirmou, também no plenário, que a estratégia do ministro era interferir na eleição. "Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE, ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo", disse. Diante de uma desconfiança que entendem legítima, Flávio e Marinho estiveram com Fachin para pedir que o STF aja com equilíbrio, pedindo que o arbítrio de conflitos da eleição seja feito no âmbito do TSE, sob Kassio, e não no STF, onde o bolsonarismo acumula derrotas.